Blogando 3294

Hoje acordei feliz... sonhei que meu carro tinha 16 válvulas.

Sábado's end

You know, durante anos fui apaixonado pela lâmpada queimada que já não iluminava tua cozinha.

Sábado à noite, finalmente

E os anjos se mataram antes de virarem diabos.

Sábado ainda vai me meter numa encrenca federal


É noite de sábado e só me resta falar do meu eterno bode expiatório – o sr. Verissimo. Não se preocupem, vou pegar leve, Verissimo acabou de sair duma enorme barafunda pessoal e merece arrego. Mas não posso deixar de afirmar alto, bom som que Verissimo é a primeira-dama da literatura nacional. Com a relevância que toda primeira-dama tem. (Sai pra lá, Tolstoi. Agora taux ocupado.)
Há mais de uma década que Verissimo virou um angu malcozido lentamente esquecido no banho-maria já frio no fogão. E eu que tenho culpa?
Sempre que vejo a cara bonachona, pachorrenta, satisfeita, ligeirissimamente irônica na coluna do Caderno 2 do Estadão ao lado daquelas suas ilustrações de cunho próprio que parecem sugerir que há uma genialidade oculta sob o preprimarismo do traço, me pergunto por que raios um cara inteligente e talentoso desses não se aposenta, não, não  para aproveitar a velhice depois de toda uma vida dedicada à literatura, mas sim para deixar de sustentar a classe média à base de ração pseudoliterária.
Sempre que alguém menciona Verissimo me dá uma gana danada de abrir um talho num pulso com a gilete que herdei de papai, de encher uma canequinha de sangue, de mergulhar nela um pincel e pichar num muro no centro da cidade sei lá o que quero pichar onde quer que seja.
Well, 23:27 horas deste esplendoroso (ai que adjetivos me doem)  sábado e eu aqui ainda achando que não disse tudo que queria dizer.
Você já?
Já disse?
(Acabei de descer a avenida sob a luz do crepúsculo que se fez de outonal neste verão legitimamente meu, depois te conto.)
Believe me, não acredito.
Sim, sou eu aqui nesta noite de sábado persistindo em fazer poesia online. Haverá algo mais impossível? Não, não haverá.
Algum gênio cibernético podia inventar um escalabuláfio e dizimar instantaneamente todos os internautas do mundo e vou sorrindo descontente.
Olho e quero ficar cego. Penso e não acredito.
Pergunta: que raios de solidão é esta (esta)?
Seremos capazes de superá-la como até hoje vimos superando aquela outra, a antiga, a dos seres abençoados com a solidão humana, natural, digerível dos que nasceram num planeta que um dia foi previsível?
Okay, alguém que me leia fará chacota deste meu lamento e continuarei sorrindo por mais uns minutos.
Eis tudo que imbecis cibernéticos podem fazer, nesta geração de digitais umbilicais que não imaginam quem foi Keats.
Fôdanse os imbecis.

Sábado, quem diria que é o dia mais esquisito da semana?


Sábado à noite mais uma vez e eis-me aqui desanimado(o), cansado(o), entediado(o) e de saco(a)-cheio(o) no meu covil por conta desta soniferíssima experiência digital em que nada de interessante acontece. Devia estar lendo, claro. Digo, lendo em papel, a única leitura digna do nome. Mas me viciei em perambular pela rede ciscando vermezinhos, fiapos de pele, pedras falsas, restos autênticos. Ando pensando em escrever algo como Como levar perigosamente sua vida digital. Mas é sábado à noite e já corri todos os riscos digitais que podia correr em minha insossa existência, inclusive a digital. Foram anos de estripulias e pude concluir que riscos que tais não valem a pena. Conheci muitas pessoas que no fim se reveleram apenas espantalhos reais travestidos de bonecos virtuais que fizeram aumentar perigosamente meu sentimento de solidão. E comprovaram, a mim, que não há vida digital minimamente gratificante  possível. A menos que você seja daquele tipo que todos conhecemos — aquele que já nasce de casca grossa e uma moldura onde resplandece um baita sorriso com todos os dentes já pespegada na cara. Mais ou menos como os habitantes de Los Angeles. Sábado à noite não é tempo de agito por aqui? Que falta fazem aqueles bailinhos na casa do ...aldo.

Sábado doido pra arrebentar


Não quero saber a hora, não quero que me respondam, não quero querer.
Sou um cara que evita falar qualquer coisa só pra marcar ponto, entende, Aristobaldo da Fonseca Guimarães, vulgo pernudinho?
(Olhe, digo isso com candura e sinceridade; na minha vida já arrumei tanta encrenca com minha franqueza, que não sei se o problema está na inépcia das minhas palavras ou naqueles que não me entendem. Tudo que desconfio é que a nova versão 3.42 da raça humana, essa gente que vive online trocando figurinhas e se entretendo com joguinhos, está perdendo a capacidade de intelecção.)
É noite de sábado, mais um vez, e não estou com disposição de falar dos meus velhos trastes psicomentais. Minha língua emperrou de novo e meus dedos, tenho de fazer um esforço fantástico para mexê-los. Se estivesse um tiquinho mais animado, falaria de assuntos nobres como poesia, papéis literários, a renúncia a viver para escrever. Este último tema é absolutamente "sensível" para mim e me deixa perturbado. O problema é que na maioria das vezes (?) só me permito me perturbar pelas minhas próprias perplexidades.
Pessimismo é outro "princípio" que me deixa confuso. Me acho meio pessimista (os que convivem comigo me acham totalmente pessimista), mas em geral não sei separar em mim esse pessimismo que a maioria acha ruim e equívoco e que para mim é um dos estados mais naturais da espécie, e esta minha imperiosa necessidade de ser realista me faz olhar o mundo e as coisas e as pessoas e as borboletas do que jeito que provavelmente são e não do jeito que os que estão no mundo querem que eu os veja.

Sábado, um instante qualquer entre as 11:38 e as 22:41


Para o poeta
as palavras são a terra > a semente >> o adubo >>> a colheita >>> a massa
a fome

Ai que cibernética solidão

Sábado entre várias brochantes blogadas


procura-se 
poesia
sonsa, leda,
besta, fria
mesma

agora, ontem,
amanhã, 
a mesma
noite

que me 
delete
do coração
todos
os momentos

dos meus olhos,
todas as fotos
todos os rostos
do meu rosto
que é o mesmo
de todos

da memória
o mesmo riso
da mesma boca
que um dia
me prometeu
alegria

Blogando 0047


Quando estou indo desmaiar
Adoro escrever teu nome

Nem quero soletrar direito

Não quero ser bem-vindo
Quero ser maldito

Mais que querer, sou

Não adianta  insistir

Estou desmaiando?

Não, desmaiar é bobagem

Preciso cuidar da minha reputação

Cansei que me vejam como alucinado

Não quero que me vejam como coisa nenhuma

Uau, até que estou conseguindo digitar direitinho

Sou uma peste

ACHTUNG!

Gamo o idioma e a literatura alemães

Tchibung

Blogando 0046

Parado
Na esquina
Da avenida
Só peço ao
Meu deus
Cujo Deus
Se Esqueceu
De o criar
Que não me vicie em felicidade.

Alberto


Fui incoerente, não fui?
Cara, tenho nojo de quem dá lição e não vou lhe dar.
Simplesmente veja os dois contextos em que eu disse uma e outra coisa...
...e veja se faz sentido.
Pra mim faz.
Mas, olha, fazer sentido prum poeta não quer dizer nada.
Aliás, fazer sentido não quer dizer porra nenhuma pra ninguém, em se tratando de literatura.
Você até pode dar seus primeiros passos poéticos mandando o sentido pro caralho.
Se quiser.
Quer ser poeta?
Então não se fie na opinião de ninguém.
Nem na minha.
Não espere reconhecimento.
Não fique aí parado feito tonto esperando um docinho.
Um afago.
Um elogio.
Quer ser poeta?
Então seja poeta.
Primeiro...
...aprenda a sentir.
Pra sentir...
...aprenda a sentir.
Pra sentir...
...aprenda a se livrar das besteiras que te enfiaram na cachola desde o dia que você nasceu.
Aprenda, acima de tudo, a sentir...
...a dor...
...que é sua...
...só sua...
...sua...
...sua...
Eu estou tentando ser poeta há 40 anos.
 E vejo hoje que tenho mil toneladas a aprender.
A cada manhã.
A cada tarde.
A cada lusco-fusco usco co o.
E desaprender.
Dsprender.
Aprnder.
Prndr.
ndr.
r.
Preciso aprender a aceitar o que sinto.
Preciso desaprender o que me entucharam na cabeça.
Tem lógica?
Se tiver, então tô falando merda.
Mas uma coisa tenho por certo nessa salada milenar:
Seguinte:
Três pontos
Não deixe que teorias e teóricos queiram te ensinar o que você sente ou deve sentir.
A poesia e a literatura em geral tem raríssimos criadores.
E palpiteiros a dar com o pau.
Não há poeta igual a outro.
Não há escritor igual a outro.
Cada verso é uma declaração de independência.
Uma declaração de guerra.
Um manifesto por um mundo carmim de sangue.


Blogando 0045


Sabia.
Não deu outra.
Um “poeta” tinha de “tratar” da distopia ocorrida último domingo na trágica Santa Maria no estado do Rio Grande do Sul.
E tal poeta só podia ser um gaúcho, obviamente. Afinal, é a área dele. Ele tem ascendência natural sobre as tragédias de sua terra.
Previsivelmente, o canto de dor pelo funesto episódio da danceteria Kiss (Jesus, terá o “poeta” recorrido ao previsível trocadilho?) coube a Fabrício Carpinejar. O poeta na hora certa no lugar certo.
Sem saída (jesus!), começo a ler o canto de morte. Meus olhos correm por dois ou três versos e imediatamente buscam ar (jesus!) no branco da parede à minha frente.
Carpinejar teve coragem! (Se há um ponto de exclamação legítimo no mundo, é este.)
Incluiu em sua elegia fúnebre todas as imagens grotescas que se poderia esperar dum poeta como ele. Só espero que Veríssimo não o siga.
Carpinejar veio açodado tomar parte do imenso açougue humano transformado pela mídia e pelos poderosos no Maior Espetáculo do Fim de Semana. Com seu panegírico fora de lugar, juntou-se às lágrimas de crocodilo de Dilma Rousseff, aos esgares canastreiros do governador Tarso Genro, ao picadeiro rocambolesco armado pelo ministro da Saúde.
Soube dessa imensa infelicidade quando cheguei na casa da minha irmã domingo pouco antes do almoço. Entrei na sala, a tevê estava ligada, dei com a notícia, escutei minha própria voz exclamar “puta que pariu!”.  Senti os olhos molhados. Eis a total reação espontânea que algo assim merece. Eis a única poesia que se pode prestar às vítimas da infâmia, da incúria dos nossos homens “públicos”.
Hoje abro o site da revista Veja para descobrir que o gran necrófilo Luiz Datena, que revolve a carniça humana todas as tardes na tevê com seu enorme bico de abutre de Prometeu, foi legitimado - e, pior, emulado – como poeta pelo poeta Fabrício Carpinejar.
Sobre este episódio sem adjetivos tudo que a canalha política e os poetas maiores podem fazer é o silêncio.