Me rendo



Há momentos em que quero fazer o poema mais triste já escrito só para ver se consigo sorrir
Não minta pra você mesmo pensando que um dia poderemos plantar um celular e dele nascerá uma árvore redentora da nossa espécie
De todos os sentidos, o mais fulminante é o olhar
Que lamentabilíssima pena que nosso destino não dê a mínima aos nossos desejos
Poetas são seres tristemente tolos que se matam por nada e por tudo, por efêmeros sonhos de verão com suas miragens
Ainda há em mim um sopro de vida. Só espero que não desmanche meu penteado
Desculpem a ausência. Semana passada sofri um aforisma no cérebro. Mas já estou me sentindo bem melhor
A poesia se escreve transparente no ar, em azul no céu, verde nas folhas, branco no papel, prata na lua e dispensa o carimbo do Nobel
É hoje que caio no sono, monto num sonho e não volto mais
Um poeta que se pretenda poeta vive prisioneiro do inferno da solidão. E só encontra saída no milagre da poesia
Sou poeta. E gosto quando deixo sem palavras aqueles que me leem. Mas entre te deixar sem palavras e te deixar sem roupa, fico com a segunda
Vou lapidando, limpando, lustrando minha solidão qual solitário ourives
Quero libertar a palavra de seu papel de mensageira para lograr sua autonomia. Só assim ela me dará minha liberdade
Quando és teu próprio inimigo, tua vitória é tua derrota
Não sirvo para autossatisfeitos. Tento mostrar o que sinto, você me ensina a não dançar miudinho ao som das artimanhas de quem joga pra valer
Entre meu instinto, os abalos que sinto, as palavras que minto, há só um labirinto
Todo mundo parece se cansar rapidinho das minhas palavras, menos eu
Taux tentando ser poeta mas tá duro concorrer com Neymar
É na minha escrita que me vingo do mundo
Por que é que, para me aproximar de você, tenho de me distanciar tanto de mim?
Oi. Quer a amizade dum menino grisalho que se diz poeta?
Não sou um explorador de minas de ouro, mas apenas um apanhador de pepitas encobertas
Alguma coisa acontece no meu coração que só quando cruzo a Paulista com a Quinta Avenida
Tenho de escrever. Pra saber o que penso. Pra descobrir o que sinto.
Até o diabo teria medo dessa expressão diabólica
Enfim um escritor que não presta para citações
Não sei nem me interessa saber onde estão os radares. Eu quero é acelerar.
Inteligência é saber aceitar e prezar a inteligência alheia
Pois é, seu guarda, vinha a mil sonhos por segundo, de repente BRRRUUUM! Quando acordei estava de terno e gravata
Falando em aniversário, vejo pessoas envelhecendo tão naturalmente, ao passo que pra mim ainda é tão natural ser criança
A vida é um interminável segundo
Toda carga de que me acusas está em meu lombo. E todas as satisfações que me exiges estão em minhas palavras
Shhhhh... o rastilho do silêncio vem sibilando, vem de repente me silenciar...
Não sei remedar qual papagaio, não sei adorar ídolos, não sei apertar parafusos na linha de montagem, não sei seguir trilhas, caminhos, sendas, veredas ou qualquer porcaria muito pisada. Sorry. Quer um robô? Tenta a lojinha do china ali na esquina.
Apesar desta minha cara, não sou boneco inflado de aboborinha metafísica. Você é que não... Deixa pra lá.
Ela me abandonou pra morar na Av. Independência. Quem diria?
Não se imagine o alvo de tudo em que miro.
Pior que a física é a solidão virtual ona ona.
Por favor, entre e sinta-se no meu blog.
Não repare minha transitoriedade.
Relaxe. Aceita um balla12 enquanto arrumo minhas palavras? 
Só vai levar mais 20 minutos.
Um sorriso automático pregado na cara não significa bom humor.
Cuidado. De repente me dá vontade de cantar Wagner (o Ivo que o diga).
E pensar que tem gente confundindo sensualidade com genitalidade. Onde é que estamos?
Meu problema é que me avassalo ao carrasco que há em mim.
Queres um homem responsável?
Procura um gerente de banco.
(Ugh, há mulheres que preferem gerentes de banco.)
(Ora, há mulheres que não suportam poesia.)
Não, não confio em loiras tingidas
O Mal do Mundo? Sim, loiras tingidas
E, não, quem está sempre sóbrio nada tem a me dizer.
Lispector tascou o seguinte:
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas o que é possível de fazer sentido.
É até bonitinho. Trisca umas purpurinas na nossa cabecinha. Só que impossível de concretizar. Ao enxergar o mundo, o freguês o reduz às suas limitações, queira ou não. Não temos a capacidade de captar o que não nos faz sentido. Não podemos sequer pensar "nele". Intelecas se acham capazes de qquer pirueta fatual p/ obrar uma boutade. As palavras são nossa única relação racional com o mundo. Fora delas, tudo é escuridão. A (boa) poesia às vezes nos descortina o irracional. É o que chamamos "deleite estético" -- que não vai muito além disso, de qquer maneira.
É por isso que a boa poesia nos toca um nervo ao mesmo tempo em que nos deixa aquela sensação de fome metafísica zica zica.