iwjj14

Senhor,
Eles não temem a sujeira humana
Eles inventaram Deus
São eles Seus eleitos

iwjj13

Sonhei que estava numa praia
Não havia areia
Não havia mar
Não havia céu
Não havia praia

iwjj12

Quem dera a vida fosse apenas sonho e não apenas o sonho que a vida é.

Give me a break

Quero que a coerência, o comedimento, a harmonia, a simetria, a honestidade, o equilíbrio, a ordem, a justiça, a dignidade, a verossimilhança, a humildade, a paz, a possibilidade, o método, a constância, a sobriedade, a concórdia, a prudência, a esperança, a boa-fé, o raciocínio, o pudor, a concordância, a unidade, a consistência, a eurritmia, a sinceridade, a simpatia, a honradez, a calma, a virtude, a identidade e, sobretudo, o sentido vão todos pra puta que o paril iiiiiiilllllll iiiiiillllll iiiiilllll iiiiiiilllllll iiiillll iiilll iill il il il i l

Amorokê na vila XXXIX

...continuação de...

,,,love me tender, love me sweet, never let me go, you have made my life complete, and I love you so, brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, campainha do recreio, aproveite, dificilmente citarei elvis again, love me tender, love me true, all my dreams fulfill, for my darling, I love you, and I always will, tenho a boca cheia de uísque assada do álcool, quero falar mas se falar vou borrifar o teclado, love tender, love me dear, tell meu you are mine, I'll be yours through all the years, till the end of time, devia ter uns 8 anos quando deixei de acreditar nessas canções pueris, foi um erro, hoje sei, não se pode perder toda a crença em tudo, nosso cérebro não comporta, inventei pra mim o mito de que podia ser eu mesmo a qualquer custo, quebrei a cara, será que todos acabamos quebrando a cara cedo ou tarde por uma razão ou outra? parece que sim, quero me sentir tão exclusivo, um serzinho único entre os 7 bilhões de outros zumbis, mas sou tão infimozinho quanto um em 7 bilionésimos de caipiras despreparados para a felicidade, you have made my life complete and I love you so, love me tender, love me true, all my dreams fulfill, que pena você não se dar muito bem com poesia, Cate, não sei falar senão através dela, a linguagem utilitarista, prática, pragmática me deixa exausto, tenho tão pouca coisa em comum com este mundo de lutas e batalhas e desenvolvimento e progresso pessoal ou coletivo ou nacional ou patriótico, sou tão eu, não sei ser outro, a cada dia que passa vou esquecendo as palavras dessa língua portuguesa e seus significados,,,

alicerces de palha

que gostoso não ter respostas nem explicações
que gostoso não saber o nome desta rua
nem aonde meus passos irão me levar
nem se minhas pernas terão força para dar um próximo passo
que gostoso não ter nada a aprender
que gostoso não ter nada a ensinar
que gostoso não ter certezas
que gostoso não ter dúvidas
que gostoso não enxergar, não sentir
que gostoso não gritar
que gostoso não silenciar
que gostoso não querer
que gostoso não gostar
que gostoso não ir
que gostoso não voltar
que gostoso não morrer
que gostoso não viver

Incessantes silêncios

A chuva fria a abrir circunferências nas poças
Chora a morte dos ecos nos vãos dos tijolos do muro
As águas rumo ao esgoto marulham escorrendo em trilhas industriosas
Todos a cantar hinos falsos do mundo
Rindo, olha, não abre tua boca, abaixa a cabeça
Não passas dum hóspede
Te contenta com as bocas extintas que beijaste
Te dá por satisfeito com a secura dos olhos que te viram
És a casca que, descolando da árvore sob o aguaceiro
Te dás conta de que, por viveres grudado ao caule
Anos a fio
Pensavas fazer parte da natureza
Agora que o Ciclo te apanhou
Teus passos, não importa aonde caminham
Sempre caminham do começo para o fim
Sim, lamentas, eles porém ecoam
Que diferença faz?
Toma, escreve tuas palavras na parede
Cinzela os vultos que fogem na noite
Enquanto os trens, aviões e automóveis zumbem distantes
E os que têm a dádiva do sono dormem arrogantes

Procura-se nevoeiro

Ela é tão
Cheia de si
Que estou
Cheio de
Você

abi s mod om u nd o

Esta noite me sinto um tantinho menos desamparado e reuni coragem para afirmar que mais uns meses – no máximo, alguns anos -, seremos todos felizes.
Bem que gostaria de saber que estou um pouco menos desesperançado que ontem mas, vocês todos sabem, não dou, nunca dei, lhufas para o que deflagra – ou entorpece – meus sentimentos. Tudo que sei é que sou movido por eles e isso me basta. Para a frente ou para trás, de manhã ou depois do café da tarde que tomei a última vez com papai em 1969, nada disso me interessa.
Há uns dias ando meio ressabiado com a cara sisuda com que meu vira-lata Quico me olha às vezes. Não queria admitir – a mim mesmo, ressalvo, aos outros nunca admito nada –, mas nessas vezes me dá meio que um calafrio. O olhar dele se revela demasiada, extremamente intenso, como se me censurasse... como se me condenasse... por existir! Não pode ser! me recrimino em pensamento, refreando um sorriso íntimo, voltando o olhar para a minha amiga mais íntima, a parede, me achando um pateta por deixar que um vira-lata me intimide. Então tudo que não sei sobre mim mesmo e o pouco que sei de outros homens e mulheres por meio da literatura me sobe ao cérebro (sobe ao cérebro?) como se viesse me acudir e sinto o peito desofegar ruidoso em alívio e o terreno desconhecido da humanidade vai lentamente reassumindo suas feições familiares. No instante seguinte Quico escuta um cachorro latir algures na vizinhança e parte em disparada, ladrando feroz mas disciplinadamente como se obedecesse a uma tábua de mandamentos caninos. Arrematando o entrevero me ocorre lembrar duma definição de Konstantinos Kaváfis: “os animais têm sempre uma expressão séria”.
Mais uns meses, mais uns anos...
...mais umas conversas, umas reuniões, uns entendimentos...
...seremos todos amigos.
Seremos todos inimigos.
Mais alguns instantes, alguns instantes que nos tragam outros pensamentos e nos revelem outras realidades...
...e, se formos humildes o bastante para enxergá-las...
...mas, você também sabe, esperar humildade de nós mesmos depois que atravessamos uma vida inteira aprendendo a vestir esta nossa intrincada máscara de autossuficiência, capacidade, diplomacia, inteligência, sabedoria, perfeição, limpeza, maturidade...
Mais alguns instantes, compreenderemos as sinfonias que se estenderem pelo céu da cidade assim que surgir a primeira luz da manhã.
Talvez então, pela primeira vez em nossas vidas, possamos aquilatar em sua plenitude o significado da palavra “humildade”.
E talvez então sejamos capazes de aquilatar o significado da palavra “tolerância”.
E quem sabe um dia poderemos todos – todos – aprender a rir do espetáculo em que os palhaços somos nós.