Ele voltou

Estamos uns seis matando tempo em nossa sala para variar. Virou ritual. Uns vão até a sala do outro c’uma desculpa qualquer e acabam ficando. Terceiros passam, veem nos primeiros já o embrião dum grupo e param e fazem uma pergunta ociosa. Então aparece os quartos, quintos e assim por diante.
Acontece várias vezes por dia, todo dia, cada dia numa sala diferente. Embora sem planejamento.
Desta vez estamos na nossa quando o Alfredo pergunta:
— Como foi sua primeira vez?
— Nada digno de nota.
— Até aí... — faz o Nestor, dando a deixa para contarmos.
Foi assim.
 
Estamos em nossa mesa em nossa sala às voltas com a papelada e os cálculos de sempre. Depois desses longos anos de trabalho grudado à cadeira catorze horas por dia, sentimos bem aqui, pouco acima dos quadris, uma dor quase insuportável, que pouco a pouco aprendemos a ignorar. Às vezes nos perguntamos como será que os outros nos veem, que marcas esse peso que carregamos sobre os ombros terá deixado em nossa figura, em nosso rosto, em nossa voz.
Através do vidro que separa as salas de todo o andar olhamo-os um a um, cada qual imerso em seu próprio mundo — ou deveria dizer buraco? Um mira enfadado a tela do computador, outro passeia o olhar, sem se ater em nada particular, a cabeça dando voltas em torno de algo impossível ou alguém inatingível do passado imediato ou longínquo, outro coça resignadamente a orelha, o nariz e/ou o queixo. A cada um, absorto em seu papel de funcionário assoberbado de penosas tarefas, foi conferido o direito de dizer-se cidadão responsável, de, chegando em casa no fim da tarde, lançar um olhar de contido desprezo à mulher e, exalando abjeta bufada de tédio e cansaço fingido,  resmungar: “Porra! que dia terrível!”. Assim, finalmente pode mostrar-se o guerreiro que pretende ser, recém-saído dum campo de batalha em que tivera de decapitar e estripar ferozes inimigos para prover o sustento dos entes queridos.
Paramos a narrativa e lançamos a nossos colegas um olhar de consulta, perguntando: “Está bem assim?” O Alfredo e o Nestor fazem um ligeiro meneio afirmativo com a cabeça. Prosseguimos.
Olhamo-os e rimos da competência com que todos fazemos de conta. Fingimos uma dignidade que em vez de nos faz parecer dignos nos torna patéticos. Somos atores canastrões tentando impor um respeito que todos, em maior ou menor grau, a mente acha natural a partir duma certa idade — a idade da respeitabilidade. Patetas dignos, embora a rigor sejamos destituídos de faixa etária própria, começamos a definir nosso “perfil” a partir dos trinta. Existimos aos montes. Estamos em todos os lugares e somos de todas as raças, crenças, credos, ideologias, antecedentes, classes sociais, quocientes de inteligência e vocações emocionais e orientações físicas.
E, já que fazemos tão bem o papel de dignos, cabe-nos também bancar vencedores. Mas aí fica tudo mais complicado. São raros os que conquistam a vitória na prática. Por isso a maioria de nós tem cara não apenas de patetas dignos mas de patetas dignos esperançosos. E dia após dia, ao cruzarmos nossos caminhos, fingimos dizer uns aos outros: “Olha, sabe-se que temos o espinhaço meio arqueado, passos um tanto incertos, voz um pouco combalida, idéias meio atrapalhadas, mas derrotado não somos, não!” O outro, fingindo compreender e aceitar essa manifestação de incolumidade, se compadece: “Eis mais um fracassado se achando o grande chefe apache”. E cada qual segue adiante, dando o mesmo grito de guerra e suscitando no outro um sentimento de inutilidade recíproca.
Novamente paramos, consultando os demais com o olhar. Todos fazem que sim. Prosseguimos.
“Maturidade” é o nome que costumamos dar a essa pretensa vitória em que tentamos dissimular os efeitos de nós mesmos, dos que vivem conosco e do que herdamos. E gente madura precisa mostrar que não está para brincadeiras; viver – ou melhor, existir – é coisa séria e requer bom-senso. O preço para os que não acreditam é a ruína mental, espiritual e, Deus nos proteja, física.
Achamo-nos nesse prazeiroso exercício pseudo-metafísico quando o investidor entra na sala – a nossa – e joga uma fotografia sobre nossa mesa.
— Olha só quem flagramos hoje.
Custamos alguns segundos para sair do mundo-da-lua e atinar com o que ele diz. Apanhamos a foto, estreitando as pálpebras, afrouxando o nó da gravata.
— Não pode ser.
— Também não quisemos acreditar quando vimos.
— É ele.
— É.
Largamos a foto na mesa e nos recostamos na cadeira. Soltamos um suspiro do fundo do peito.
— Até que não envelheceu — o investidor diz.
Apanhamos novamente a foto. Sentimos os lábios se afunilando num bico não muito bem formado de dúvida. Alguns sinais da idade são evidentes mas não o bastante para disfarçar a cabeça ovalada e os pomos eslavos. Mais inconfundível que tudo é a transmissão automática e instantânea de hostilidade — como se ficasse permanentemente em prontidão para rechaçar abordagens alheias.
— Solitário convicto — dizemos, apanhando a foto pela terceira vez. Levantamos da cadeira, vamos até o quadro revestido de cortiça pendurado na parede e a espetamos com dois alfinetes de cabeça plástica vermelha. Agora são três: a do Eslavo, a do Sereno e a do Anjo.
Três Antípodas. Preservados vivos por alguma forma de vida que hibernara desde antes da idade do gelo e voltara a se manifestar agora. Não sabíamos que tipo de acidente permitira que tivessem subsistido depois de tanto tempo.
— Quanto ao Eslavo, só pode ser essa hostilidade, que não se encontra em nenhum outro lugar — o Norberto interrompe, apontando a foto.
— No Anjo, é a voz — o Alfredo também indica. — As gravações deixaram isso claro.
— E no Sereno, o talento para tolerar a dor — o Nestor completa.
Os olhos olham uma a uma as fotos pela enésima vez. Sabe-se que por trás de tudo havia leis infalíveis que tinham determinado o destino de cada um deles. Mas são leis codificadas, que precisamos decifrar sem perda de tempo.
— Quem já escutou o Anjo diz que ele encanta os que ouvem sua voz — o investidor diz.
— Bobagem — resmungamos.
— E quem olha o Sereno, fica desarmado com tanta serenidade. Pelo menos foi o que nos contaram — o Nestor dá de ombros.
— Outra bobagem. Se fosse assim, qual seria a defesa do eslavo?
— O medo — o Alfredo diz. — Os que estiveram na presença dele disseram que tremiam.
— Às vezes me perguntamos por que vocês não mudam de profissão, já que têm tantos escrúpulos. Não é mais o nosso futuro que estamos tentando salvar. É o nosso presente — Os olhos olham com expressão grave para cada um deles. Todos baixam o olhar. — O presente. Comecemos pelo Eslavo, está bem?
Todos resmungam, concordando com a cabeça, as pálpebras ou um simples olhar.
O Alfredo levanta a capa amarronzada do expositor instalado no centro na sala, expondo um mapa com o itinerário do Eslavo. Empunha a vareta, aponta um local no mapa e começa a explicar:
— Ele foi visto a primeira vez aqui no centro de Belém. Com base nos rastros encontrados, só pode ter vindo dos Estados Unidos.
— Falaram com o escritório dos americanos? — o Nestor pergunta.
— Disseram que não podiam ajudar. Já tinham problemas demais.
Ter problemas demais às vezes é ideal. O que pode acontecer de melhor. Quando temos poucos problemas, quando somos capazes de mantê-los sob certo controle, as pernas entram num estado de excitação instintiva que nos impede de relaxar. A operacionalidade nos induz a continuar cegamente, pois bem ou mal chegamos a alguns resultados práticos, mesmo que pífios – ou mesmo ilusórios. É o império da viabilidade. A ruína do possível. É por isso que os favelados têm aquele ar risonho. Não sonhador, mas risonho, folgazão. A insolubilidade é a chave. O irremediável remediado está, estatuto insuperável da raça. O favelado detém a liberdade absoluta, cuja definição nossos intelectuais burgueses vivem perseguindo, falhando sob o arsenal de preceitos morais que devemos cumprir. A obrigação de resolver problemas, tornar o ambiente menos inóspito, organizar o mundo nos faz circunspectos e disciplinados. Somos nós o rebanho de bovinos que com tanto desdém enxergamos nos miseráveis. A eles coube viver. A nós, o castigo de proteger e salvar. E aguardar. E espreitar, qual coiotes e como todos os coiotes doloridamente cientes da nossa vulnerabilidade. Estamos mergulhados num mar de princípios que terminou por nos afogar.
— Está bem assim? — perguntamos a todos.
Fazem que sim.
De repente o Ernesto abre a porta da sala e anuncia:
— Oquêi! A diretoria liberou a grana!
— Viva! — esbravejamos todos.
Estávamos preocupados com a possibilidade de corte de verbas. Quando congelaram nosso salários, tudo bem, dissemos, dá para viver assim. Menos o Marcelo, que preferiu cair fora. O sogro dele tinha arrumado uma vaga de professor universitário numa Federal em Santa Catarina. Verdadeiro milagre. Quanto ao resto de nós, ficamos sem alternativa. Então aceitamos o congelamento dos salários, apesar do aumento de 20% de produtividade nos últimos oito anos. Ninguém tinha igualado esse nível. Mas logo o pessoal da Diretoria veio com a história do corte. Era um golpe duro para nós que trabalhávamos em tempo integral e todos os dias da semana, sem folgas nem férias. Os outros podiam se arranjar. Nós não. Nos reunimos todos na sala do Ernesto e se deu um xeque-mate. Ou libera a grana ou caímos fora.
— Liberaram! — o Nestor exulta.
— Quem vai? — o Norberto pergunta.
— Temos compromisso à noite — o Nestor diz.
— Nós também — o Alfredo acompanha.
Os outros também. Sobra para mim.
— O investidor vai conosco — dizemos.
— Sabia...! — ele reclama.
— Eu também.
Eu e o investidor saímos e montamos campana perto da casa.
Depois duma três horas ele chega e quando vai entrar dou-lhe um tapinha nas costas e as pernas entram junto.
— Como me descobriram?
— Pela foto do Assis. — A mão tira a foto do bolso e lhe mostra. — sem querer. — Não sabíamos que íamos pegar um peixe grande com rede tão pequena.
Os olhos dele ficam molhados.
— Lembra o dia em que concluímos que certos indivíduos deviam ser proibidos de procriar?
Faz que sim com a cabeça.
— Ou de existir.
Faz que sim com a cabeça.
— Como em certas regiões da China. O médico decide se o recém-nascido vai sobreviver ou não. Se negativo, torce o pescocinho ali mesmo, pós-parto.
— Eugenia.
— Não. Eugenia é pra quem acredita no futuro. Saneamento. Simplesmente.
— Conforto.
— Make the world a better place. Está arrependido?
Encolhe os ombros, mantendo-os assim por vários segundos. Então faz cara de resignação.
— Teve alguma vez na infância em que tudo o queria era ficar nos braços da sua mãe?
— Sim.
Enfio a mão no bolso do casaco. Quando a puxo de volta estou empunhando a pistola. Do outro bolso, o silenciador.
— De frente? De costas?
— Diz você.
Refletimos alguns segundos.
— De costas.
Ele se vira.
— Ajoelhe. É melhor.
— Pode acender a luz?
Vamos até o interruptor e acendemos. As pernas voltam e o corpo se posta atrás do dele. A mão enrosca o silenciador na arma.
— Tire a camiseta.
Tira.
— Dê aqui.
A mão esquerda estende a camiseta aberta diante da pistola, para proteger o corpo, e o olho mira, sem fazer contato com a cabeça. O indicador puxa o gatilho
Saímos. O investidor se aproxima, me interrogando com os olhos. A cabeça faz que sim.
— E foi assim — concluímos.
— Vamos trabalhar um pouco. O chefe já está de olho — adverte o Alfredo.
Então começam a se retirar, um a um. Quando nos vimos só, retorno à nossa velha e aborrecida papelada de todos os dias.


Posfácio
 Será que sou também examinado à procura das evidências da derrota tal como fazemos com eles? É engraçado como a gente se acostuma com a degenerescência alheia. O investidor, por exemplo. com cara de quem levou todas as surras que poderia ter levado da vida mas, sabe-se lá por quais motivos, foi forçado a desenvolver um esgar inflexível para mascarar o sofrimento? Ou, feito o Jaime, terei conseguido manter o rosto relativamente incólume aos sinais da derrota?
— Tá com o cedê?
Pega o cedê. Nele está escrito “estranho”.
— Que é que tem aqui?

— Minha vingança. Minha vingança do escritor que me roubou um conto e o reescreveu, tornando-o incomensuravelmente melhor e me humilhando à morte.

continua em Ele voltou II

Um mamão lava a outra

Silenciar: o meio mais prático e indolor e covarde de aceitar a injustiça.
A hipocrisia só se estabelece a dois, ou mais. É uma moeda de troca. Quando está sozinho, o hipócrita ilude apenas a si mesmo. A hipocrisia solitária é mais ou menos como dispor de dinheiro sem ter onde ou como gastá-lo. Torna-se assim meio que inútil. Um bom exemplo seria alguém a vagar num deserto, delirando c’uma garrafa de coca-cola gelada enquanto sente no bolso a carteira recheada de grana. É na presença de outro que o hipócrita efetivamente se realiza. Sem o outro não podem intercambiar a única coisa que têm em comum. E quanto mais hipócritas juntos houver, maior será o valor da hipocrisia. É nesse tipo de convenção que o hipócrita individual se congratula – conscientemente ou não – de ter investido a vida toda na arte da (dis)simulação. O que importa é enganar o senso de solidão.
O hipócrita procura sempre se afastar o máximo possível da verdade. Para ele a distância lhe parece tão natural, que muito cedo na vida ele perde a noção do que seja a verdade e qual seria seu propósito. Quando ainda conserva dentro de si algum resquício da verdade, o hipócrita ainda tenta aplicá-la em certas situações de seu dia-a-dia. Mas logo desiste – tais tentativas sempre resultam em dor, frustração e, horror dos horrores, conflitos interpessoais! O hipócrita acha que conflitos com outras pessoas são o fim do mundo e aos poucos – dependendo do caso, instantaneamente – decide que não vale a pena. É então que o hipócrita chega ao Grande Lema da Hipocrisia: pra que sofrer à toa se podemos todos ser relativamente felizes encenando uns pros outros? E o que ainda resta da verdade assim se esvai pelo ralo de sua consciência e da consciência de seus pares.
E dá-lhe convenção. É curioso como os hipócritas gostam de se reunir. Praticamente vivem para comunhar. É solenidade, festa de aniversário, casamento, enterro, um joguinho de dominó no buteco, um convescote no fim da tarde com colegas de trabalho. Até que nos últimos tempos lograram realizar a quintessência das convenções, a Mãe dos Congraçamentos. Bidu: as chamadas redes sociais, pracinhas de igreja de antanho multiplicadas por uma dimensão infinita onde bilhões de hipócritas se juntam para medir a hipocrisia uns dos outros.
E aqui recomeçamos o ciclo. A hipocrisia é uma moeda de troca. É uma espécie de paraíso em que as individualidades entram em suspenso para ceder lugar ao Grande Angu Coletivo. Após alguns exercícios de prática nessa modalidade, o aprendiz de hipócrita estará prontinho para se liquefazer como indivíduo em nome do bem comum. Daí a desenvolver o bom-senso é um passinho de bebê. É o bom-senso que distingue o hipócrita das demais classes de viventes.

O pirata honesto

Há uma fronteira extremamente tênue entre a civilidade e o  primitivismo.
Tênue, muitas vezes quase indefinível,  mas fronteira mesmo assim.
Você pode dizer não. Você pode acabar c’um noivado de doze anos. Você pode até mesmo esbofetear alguém, que a seu justo juízo, tenha violado as regras socialmente aceitas, e, nesse caso, sua comunidade na certa irá aceitar seus critérios.
E você pode fazer mil juras de amor ou mil juras de fidelidade e você também pode simular uma vozinha doce, cordata, quase obediente, uma vozinha promissora de que haveremos de lutar juntos para, num futuro quiçá não muito distante, podermos partilhar os frutos da nossa luta, mesmo que a tenhamos travado cada qual dum lado...
E mesmo agindo assim com tantas precauções sociais você pode se mostrar, no fim, um grande cafajeste ou uma grande capadócia.
Tudo é tão relativo, baby.

Ainda não

Não há razão para chorar
Não há razão para – surpresa! – rir
Não tenho razão para escutar Mozart
Nem para ouvir Paul McCartney
Por um décimo de segundo dispara um sentimento enterrado há décadas dentro de mim
Não me dou o trabalho de fazer a arqueologia – tantos são os fósseis que esqueci ou abandonei em mim, esqueletos a se amontoardia após dia sem que eu perceba na minha vida que corre à minha revelia
Taux doido para falar do que sempre falo – impossibilidades, suicídio, bebida, tédio – mas queria falar de mim
E de ti
Queria falar de ti mas não posso
Não posso falar de nada
É assim que fico quando não tenho por que rir ou chorar.
É assim que fico quando redescubro pela enésima vez que não posso estar em outro lugar
Nem ser outro

Estou só e não é só

Hoje, estranhamente, deparei cuma esclarecedora citação de Pessoa.
Em carta a João Gaspar Simões, Pessoa escreveu: “O estudo a meu respeito, que peca só por se basear, como verdadeiros, em dados que são falsos por eu, artisticamente, não saber senão mentir”.
Veja, talvez todos os poetas (os dignos do nome, claro) tenham algo em comum com Pessoa.
Será que a poesia, essa dimensão imensa e intangível que habita a alma dos poetas e se transmite entre cada um e cada outro deles, no fim é uma só?
Que você acha?
É sintomático, pois Pessoa e os grandes poetas e mesmo os pequenos provavelmente não dão muita importância à veracidade de seu mundo, seus sentimentos, suas declarações, seus versos.
Acima de tudo, não dão lhufas para a inverossimilhança em que vivem.
Outro dia alguém me disse que isso não importa; o que interessa é a honestidade dos meus sentimentos.
Fiquei, confesso, emocionado.
Foi assim num papo descontraído, desses papos que a gente leva sem grandes propósitos.
Na hora pensei, taí alguém que me entende.
Admito: me entender não é moleza.
Até hoje ninguém nunca did.
Nem se deu o trabalho de.
Todo mundo está ocupado demais entender o mundo, entender a economia, o mercado e a quitanda.
E sei que não devia mais me magoar (“magoar” soa dramático demais?), me chatear com essas coisas.
Lá vou eu com minha choradeira de novo.
Terá Pessoa sido um chorão?
Terá, sim.
Me reconforta um tico.
O colossal Fernando. E sua dor desmedida
Se me encontrasse com ele um dia chorava, Cara, não é mole viver no mundo dos pragmáticos de-bem-coa-vida.
Ao que ele desdenharia: “Há uma vaga mágoa em meu coração”.

Sue Cida

Escrever, a vida dum escritor.
Pleonasmo? Tanto, talvez, quanto martelar é a vida dum sapateiro. O sapateiro – pelo menos aquele que na rua da minha infância abria seu ofício pontualmente às 5 da matina todo santo dia menos domingos. Às vezes me dá essa agônica sensação de que tanto, talvez, quanto o sapateiro, escrevo mecanicamente. Vou enfileirando palavras, frases, períodos neste blog tal como seu João ia alinhando mocassins, sandálias e botinas na prateleira no fundo do pequeno salão à espera do freguês em retorno.
Na comparação, o sapateiro ganha, disparado. Nunca lhe ocorre, dia após dia, de manhã à noite, perguntar-se “por que martelo, afinal?” Ele sabe por quê. Você na certa já adivinhou o vem a seguir. Ao escritor, obviamente(?), não cabe tamanha fortuna. O miserável martela, martela, martela, martela, no mais das vezes sem a mínima ideia por quê. E de tanto martelar a esmo, atingindo ora o prego inuto o dedão, imprecando contra a própria imperícia com seu instrumento de trabalho, a palavra, vira e mexe tentado a malhar o próprio cocuruto, desanimado e frustrado que fica incontáveis vezes ao longo do dia e da noite por sentir-se um robozinho martelador a golpear cegamente inutilmente sem saber se por si mesmo, por alguém ou por ninguém.
Mais que tudo, haverá na vizinhança alguém atento a tão persistente batuque tuque tuque (mesmo que seja apenas para se fazer a mesma pergunta que o escritor se faz)? tal como atentava na infância este pobre escutador das marteladas de seu João em sua modestíssima e encardida e atulhada sapataria exatamente diante de casa na rua da sua infância?
Eis uma das grandes razões que levam um escritor a querer publicar. Aqui em muito pouco difere do sapateiro determinado a concluir o serviço quanto antes para poder receber os míseros cobres de réis que as leis do mercado sapatal lhe permitem cobrar por um par de solas renovado e uma boa mão de graxa no vulcabrás já digno da aposentadoria.
Tenho quatro romances escritos. Cada um, interminado. Em cada um, faltando pouco para o arremate. Rara, muito raramente me lembro dum ou outro e recomeço a viajar pela trama e revisitar os personagens e vou tentando me instigar a dar cabo da missão e um calafrio doloroso me percorre o joelho esquerdo. Ora desanimo, inuto me vejo casmurro, acorçoado a desafiar o mundo. (Puta merda, quantos desafios ofereci ao mundo até hoje.)
Não vou citar pela enésima o que Rilke pensava sobre o “ato” de escrever. Quando esqueço por que, vou lá, abro o Carta a um jovem poeta, releio um ou outro trecho, sinto a verve revigorar um tico. Dura alguns minutos, dependendo, uma ou duas horas. Serve para estimular mas está fora. O que vale mesmo tem de partir daqui do fundo. Senão é repeteco. Plágio dissimulado, involuntário.
Nos últimos tempos não tenho visto muito sentido em escrever. Embora continue a. Já falei inúmeras do tema. Um dos mais profundos medos do escritor é de repente se ver incapaz de produzir um reles parágrafo e por essa razão vai retroalimentando suas técnicas literárias desse pavor precisamente para quando chegar o dia da secura inspiracional. Todo escritor, grande ou cedo, tarde ou pequeno, acaba se encontrando sob essa injunção . Então, se preciso for, é capaz de escrever de olhos fechados. Comigo acontece com frequência. Deve ser, imagino, perceptível aí do outro lado do balcão.
A tentação de parar é quase irresistível. Muitas vezes liguei o computador decidido a deletar este blog todo e seus milhares de posts. O que tem me salvado da catástrofe até agora é, por um fio de sensatez, imaginar o day after. Sou deprimido, profundamente, e me aterroriza a possibilidade de o ser mais ainda.
Hoje à tarde estava mais ou menos na situação descrita acima quando recebo um email. De uma das minhas leitoras.
Mais duma vez essa leitora me salvou de cometer o seppuku literário. Nunca lhe contei, pois não acho que seja tema de conversa entre um escritor e seu leitor. Há de manter-se distância pundonorosa entre um e outro, como tão sensatamente recomendava aquele “MANTENHA DISTÂNCIA” que via nas traseiras dos caminhões quando viajávamos a Araraquara e mesmo além.
No email vespertino minha leitora menciona uma experiência pessoal e termina com um surpreendente “obrigada por escrever”. Me senti, claro, culpado. (Nós de educação católica temos de conviver com esse nó indissolúvel que é nossa incapacidade de conviver legal com o sucesso.) Nunca lhe agradeci por me ler, como seria “natural”. E não foi a primeira vez. Já me agradecera exatamente da mesma forma antes, e não me dignei sequer a responder. Sou fodão, com “dizem” a rapazida hoje em dia.
Reabri o blog numa página qualquer e fiquei lá lambendo a cria. Me senti escritor novamente. Por minutos. Até me dar conta, pela enésima, de que não me é facultado o milagre de consertar sapatos que meus fregueses nunca submeteram a minhas mãos de artífice desmazelado.
Aí lembrei que um dia escrevera uma espécie de agradecimento a essa minha leitora. Há, talvez, uns três, quinze anos. Numa comunidade da orkut.

Foi assim:

“Não posso deixar escapar a oportunidade. Os estertores da orkut vieram a calhar. Vou falar o que defacto penso da Suely.
Antes, porém, uma apresentação.
A Suely é uma dama.
Não, não lhe aplico o título algo vetusto por sua idade. Não sei a idade da Suely. Não me interessa a idade da Suely. Não sou como esses energúmenos que até ontem vinham a este antro forense fazer suas necessidades fisiológicas como se não tivessem latrina em suas digníssimas pocilgas residenciais.
Esses energúmenos que se orientam e classificam pessoas pela idade.
Estava ainda há pouco olhando a parede branca acima da tela do meu computador, matutando “Preciso escrever sobre a Suely. Que é que posso escrever sobre a Suely?”
E ponderando fui.
Até tropicar numa lembrança, desabando do estado letárgico em que entro quando me entrego a devaneios e bumba-meu-bio, digo. Sinto os lábios e as bochechas conformados num sorrisinho satisfeito. (Adoro meus sorrisinhos satisfeitos. São raríssimos. Só ocorrem (à revelia) quando a rédea do meu superego se solta, o que acontece uma ou duas vezes ao dia.)
Sim, povo meu. Sorria com as frases que meu cérebro ia tecendo em torno do que penso da Suely.
Que é que penso da Suely?
Bem, não tenho muito que pensar da Suely.
Pra começo de conversa, a Suely é um fake. Um fake do bem.
I mean, até certo ponto.
O prenome, pelo menos, é genuíno. O sobrenome não vem ao acaso. A Suely não precisa dar o currículo. É daquelas que se ajustam suavemente aos provérbios e ditos, fazendo o bem sem olhar a quem.
A Suely me fisgou pela cordialidade ao primeiro post.
Não sou um sujeito que se é cordial com assim sem mais nem aquele complemento que conhecemos todos. Muito au contraire. Espumo hostilidade ao primeiro contato e hostilidade atraio. Não, não foram os fóruns que me ensinaram esta autolição. O sei desde os dois meses de idade.
Certa feita, nesta comu, uma loira oxigenada curitibense que fazia suruba com seus cãezinhos e flanava por aqui só pra encher meu saco me acusou de ser destituído de EMPATIA.
Assim, tu é bom mas não tem empatia.
Perguntei pra dona se estávamos participando de concurso de miss. Adi que meu papo não era ser animador de auditório. Que tava aqui pra falar de literatura. Não, esquece, não tava aqui pra falar de literatura porra nenhuma. Tava aqui pra falar de mim. Que é a única coisa que sei fazer nesta minha vida de narciso desenxabido.
Tão vendo como tudo aponta pro mesmo ponto fulcral de inanição intelectual?
Os caras achavam que eu devia FAZER MÉDIA puta que la merda!
É o que os blogueiros por aí fazem. I'll scratch your back, you'll scratch mine. O proverbial “quem não tem sei lá o que faz nem imagino como”.
De repente, a Suely.
Foi assim.
Sabem essas pessoas que ocorrem uma, duas, no máximo três vezes na tua vida?
Não troco a Suely pelo salário do Neymar. E olha que o Neymar fatura CINCO MI POR MÊS.
Suely, perdoe a piadinha cretina – não resisti. Precisava atacar o cretininho de alguma forma.
Vocês conhecem o Roberto Piva?
Claro que não.
Esta é uma comunidade literária em que os membros dizem que Machado é uma merda.
Agora há pouco tava lendo o Roberto Piva e uma hora lá o cara tasca o seguinte: (Sorry, citação literária à frente.)
“Nada mais provinciano do que os clubinhos fechados da poesia brasileira, com seus autores-burocratas tentando restaurar a Ordem & cagando Regras que o futurismo, dadaísmo, surrealismo & modernismo já se encarregaram de destruir. (...) A poesia é um salto no escuro como o amor. Por isso, MEUS LEITORES PREFERIDOS são os heréticos de todas as escolas & os transgressores de todas as leis morais & sociais.”
Vejam que MEUS LEITORES PREFERIDOS está em letrona grande. Como dizem por aí, grifo meu.
Lembram daqueles tópicos bobocas em que perguntavam como retardados “Qual é seu escritor preferido?”?
Voltem à citação. Vejam lá, MEUS LEITORES PREFERIDOS.
Piva tinha seus leitores preferidos.
Só um poeta que é defacto poeta pode se dar o luxo de ter leitores preferidos. A nenhum membro semiereto da comu literatura jamais ocorreria perguntar QUAL É SEU LEITOR PREFERIDO? pois os membros semieretos da comu literatura ainda acham, sempre acharam, sempre acharão que escrever é concurso de miss.
Qual Piva, também tenho leitores preferidos.
Qual meus escritores preferidos, são poucos, são raros.
Dos meus leitores preferidos, a Suely é minha leitora preferida.”

Feitiços

Sílvia, cara
Era esse o efeito pretendido?
Sílvia caríssima, em mim, o estrago que causou, você deve ter alguma noção. Desenvolvemos expertise na matéria ambos, não é mesmo? Embora você nunca tenha dado importância ao fato de ter me deixado enlouquecido quando me trocou pelo gerente de banco. Por que um gerente de banco depois dum poeta? Ainda não desisti de compreender. Nunca compreenderei, sei bem. Como sei que vou morrer tentando.
Três retardando, retardando, retardando.
Faz umas cinco horas e dois dias que venho aqui e sento e começo a digitar e desisto. Então decidi apelar. Botei a Ária da quarta corda. Recurso último. Nunca compreenderei Bach (também) mas me reconforta um pouco saber que ele me compreendeu. Que homem, esse João Sebastião. Antigamente gostava de chamá-lo de deus, até me dar conta da impropriedade. A ideia de deus me é tão impossível. Quão contraditório encontrar consolo num homem que consagrou a vida a seu deus. Eis aí! Acho que encontrei a definição de Bach: um homem de magnanimidade divina. Em cada nota do violino, em cada acorde do cravo ele me diz, me diz só a mim, que a minha dor é a de todos nós e então devo ser humilde e me irmanar na corrente dos sofredores e dos piedosos. Ah minha doce Sílvia, sou o mais religioso dos ateus. Bach, o mais ateu dos religiosos. Joguete de palavras? Pra mim, sim. Pra ele, não.
Disseram alguns, igualmente raríssimos, já esquecidos pelos séculos, que Bach se elevou a tão impensável altura com sua música, que adquiriu o dom celestial ao mesmo tempo em que perdia sua humanidade. É mistificação. De mistificadores como fui um dia, enterrado até o nariz em minha ingenuidade e em minha arrogância juvenil. Sim, já fui frívolo, Sílvia. Ainda sou. Não sei se é possível deixar de ser. Pelo que sei de mim, pelo que sinto em mim, não. Hoje estou absolutamente certo – a frivolidade é o maior dos nossos defeitos. O maior, sem dúvida alguma. Sei não porque aprendi por meus próprios meios. Você sabe que sou inepto. Mas porque João Sebastião mo ensinou.
Três você sabe, você sabe, você sabe.
Não, não significa que tenha aprendido. Estou condenado a não aprender.
Sou teu Arthur Miller, você é minha Marilyn. Até os dezesseis procurei minha Beatriz. Minha Lídia. Tive de me conformar com você. Miller nunca mais se recuperou depois que Marilyn o trocou por... Por quem, mesmo? Um sujeito feito Arthur. Outro, feito eu. Que patético é o macho ante a fêmea alfa. Andei olhando as fotos do casal no google. Arthur, cachorrinho deslocado no mundo sob a todo-poderosa dona. Marilyn, olhar ora absorto, ora franca mais controladamente arredio. O dramaturgo famoso, de talento, de escrita proficiente, abanando o rabo para a dona meio impaciente, meio indiferente. Marilyn soterrou o artista e intelectual sob sua animalidade acachapante. A seu lado, o marido é apenas um palhacinho digno de pena. Ele existe para servi-la. Até abandonou suas inquietudes de Grande Dramaturgo para posar de marido do Símbolo do Sexo do século 20. Por que a loira platinada (jesus, me  perdoa por escrever essa barbaridade) se desviou de seu mundo de, ugh, glamour e poder para se juntar a um sujeito ligado na alma humana, não no corpo paradigma do desejo do macho, é, para mim, enigma. Marilyn e seu bibelô prestigioso da Broadway. As fotos me dão a impressão de que Arthur não via a hora de voltar para casa e adorar, idolatrar a esposa sexualmente. Ou tentar. Dentro das possibilidades. Eu, de minha humílima parte, broxaria. Como aposto que Arthur broxou. Inúmeras. Sua mulher não era uma mulher, mas um mito, ao qual ele saciava e que o saciava tão-somente em sonho. E Marilyn por fim o destruiu. Arthur nunca mais se livrou da “ideia”. Morreu escrevendo obsessivamente para, por, sobre ela.
Como eu com você, Sílvia.
De repente me deu essa minha revolta. Não posso continuar. Sob pena de dizer o que sinto. E estava escutando Bee Gees, na verdade.
Continuo amanhã. Espero não estar vivo.

Falemos um pouco da mecânica das coisas

Mensagem no cel de Sô:

Não vai me enviar a foto que pedi?
Preciso decidir se vou me apaixonar
Cedo ou tarde

Poor bastard. Somos todos, não somos?
Não ligo. Por fora.
Minha vingança é o trauma do brasileiro com o chifre.
O chifre é a maior diversão dos poor bastards chifrudos.
Há algo estupidamente, violentamente neurótico no medo do brasileiro de levar chifre. Em minha teoria ateórica, daquelas não desenvolvidas intelectualmente nem aprendidas empiricamente, concluí que esse pavor está ligado ao medo de ser enrabado pelo pai. E enrabar, sendo outra das preferências nacionais, demonstra todo o gigantesco primitivismo dessa gente esquecida na idade da pedra. Vou além. Algo, ou alguma coisa, une chifrudos, maníacos em chifrar, pederastas, sodomitas, gays e esquerdistas. O que esses tipos neuróticos têm em comum é a tendência irresistível a negar as injunções civilizatórias. Os gays, só pra citar um exemplo, querem, exigem que os olhemos como “nossos”, mas, porra, sempre que vejo um deles logo o imagino tendo, ou fazendo, contato direto com as fezes de seu parceiro. I.e., você se assume ou escatológico ou alheado dos fatos. Ambos são incompatíveis, como todo o resto em nossas vidinhas de grotescos aspirantes ao angélico. Sexo anal é sujo. Aos que optaram(em) pela imundície, no problem. Just speak up your minds. Só não exijam que eu os enxergue como anjinhos a mil anos-luz da merda em que vivem.
E olhem que nem falei do mais importante.

Antepois II

Oi, quase três leitores e dois-quartos do meu benzinho.
Acho que já sacaram, né?
É.
Dei uma escapadinha do balcão e vim aqui trazer uma notícia.
Me perguntem se é boa ou ruim.
É boa, gente boa! Comigo é assim, só bola pra frente. Quem curte quizília é o meu fofinho. Tô esnobando ou não tô? Meu lindim que me ensinou. Aprendo tanto com ele. Tudo bem, sei que não parece. Digo, não parece que estou falando dele. Mas de quem é que falaria? Do Alt? Coitado do Alt, anda no maior enrosco coa patroa. (Meu gatinho ia adorar meter um eco aqui, ia não?) Mas vou deixar o Alt e suas agruras (esta é outra, ai que lindinha!) pra outro dia. Além do mais, não tenho muito pra falar do Alt. O cara pega no volante às seis da matina e estica até as dez da madruga. Tadinho, morro de dó. Não gosto de sofrimento. Quem gosta é, bom, vocês já sabem, né?
Ah, esse meu taradinho meio esperançoso, meio broxa, nunca vi ninguém tão down, vocês já viram? Dudivo. Digo, bom, vocês já devem ter percebido que cometi um typo (mais uma! Esta quem me ensinou não foi elezinho, não. Foi o Carlão, aquele da pizzaria, lembram? Tadinho do Carlão, o bus atropelou ele e a moto. Que desperdício, a bike era novinha!)
Agora, se vocês já sacaram a barra nos textículos (adoro esse silogismo; meu bafolinho disse que o Jô que inventou; semana passada fiz ele me prometer que vai me levar no programa do Jô; viram como ando todinha balizada? Também num tinha como resistir, né? Isso que dá morar cuma Caras ambulante, né? Uiiiii, fiquei até molhadinha...!)
Ah, desculpa aí. Vocês não se amarram nesse tipo de lero. Tô sabendo. São mais de cuidar da embalagem, né? Mas olha, não tô fazendo crítica, não. Vocês devem se lembrar que meu queridinho já me descreveu como o “serzinho mais livre que jamais conheci”, pois é, foram essas as palavras dele, iluminadamente. É verdade, viu! Comigo não tem esse papo de é meu, é teu, é dele...
Só um minutinho, o cel...
Cara, tô te esperando faz quase sete minutos. Não posso ficar dando bandera, daqui a pouco papai vai perceber que estou demorando no “banheiro” mais que o normal. Se não vier neste instante, esquece. Porra, botei o Cacá de escanteio pra sair contigo, se liga, cara! E vê se traz aquele presentinho.
Peraí, tem alguém na porta. Ah, é você! Que rápido, cara. Vê se manera na cama, né? Detesto gente apressada.
Bom, quase dois leitores e três-quartos do meu queridinho, acho que vou nessa. Vocês viram, não viram? Por mim ficava aqui falando do meu homem a tarde inteira mas não sou de queimar compromisso. Com ninguém. Volto qualquer hora. Meu docinho faz que não vê quando roubo a senha do blog dele. Pensa que não sei que ele não sabe. Cá pra nós, ele é tãããão inteligente e tãããããão burrinho, coitado. Ceis na certa conhecem o tipo, né? Queí além da conta mas ingênuo feito um bebezinho. Ah, meu nenezinho de colo. Não durava duas semanas sem a maninha aqui, certeza absoluta. Cá pra nós, ele não desenvolveu direito. Sabem aquela coisa que todo mundo tem de saber se virar quando a água molha a bunda da gente. Pois é. Antigamente eu dizia que deve ser algum tipo de doença, ele se horrorizava, tadim, então parei de dizer. Mas hoje em dia não tenho mais dúvida. O bobinho não tem a mínima capacidade de tomar conta dele mesmo. Lembram aquele papo que tava na moda uns anos atrás, aquela tal de inteligência emocional? (Nunca comentem com ele que falei disso, é capaz de atirar a garrafa de balla12 na parede. Vocês sabem, esses modismos deixam ele doidinho da silva toledo de andrade.)
Calma, cara! Atrasou, agora espera. E não me toca desse jeito, que não sou boneca inflável, filho da puta. Caráleo, como homem é asqueroso. Pena que tenham uns pintões tãããããão tenrinhos e durinhos. Vocês gostam de grande ou pequeno?
Bom, estiquei ao máximo, volto outro dia com mais uns plás aí.
Ah é, a notícia.
Estou superfeliz em anunciar que meu inventor de histórias que ninguém lê está de volta ao face. Ele disse pros desafetos dele não devem dar bobeira, que, claro, logo, logo ele queima o chão. Então aproveitem. Enquanto é aquilo que o Kafka disse e não me lembro.
Beijinho molhado a todas... e todos os garanhões do pedaço.
Aiiii, me molhei deneuve...