Blogando 3528


Ou "Os campeões da felicidade"
Sei que meus quase dois fiéis leitores vão se perguntar, cadê os Blogandos 3515 que faltam? Então respondo, antes que os quase dois percam a paciência e me deixem falando definitivamente sozinho. A verdade é, não está faltando Blogando nenhum.
Querem que lhes diga o que está faltando? Então digo.
Está faltando viver a vida de verdade.
Pode parecer bobagem, sei. A mim ao menos parece. Afinal, do jeito que vejo as coisas — e só posso ver as coisas do meu jeito, não é mesmo? —, não consigo imaginar alguém que não viva a vida. Mesmo o chamado "vegetal", aquele que sofreu uma doença grave incurável e é mantido vivo através da miraculosa tecnologia médica destes novos velhos tempos, está vivendo sua vida. Se não está, vive a de quem? Por incrível que possa soar, até mesmo eu acho que às vezes logro ter esse formidável sentimento de que estou extraordinariamente vivo, vejam só. Certo, é forçoso reconhecer que a vida do pobre vegetal entubado não é batatinha. A dos seus próximos, idem. Como idem é a minha.
O problema é que todo mundo e seu clínico geral só reconhecem o que chamam vida se esta for repleta de teres e prazeres que não deem margem às angústias próprias da raça, preenchendo cada ínfimo momentozinho da existência com os suaves perfumes exalados pelo estofamento dum carrão 0K ou dum novo conjunto de sofá em couro de cabrito montanhês (benhê, sente só o ronquinho manero desse mortorzão de 500 cavalos, ai, acho que vou ser feliz até a semana que vem).
Provavelmente meus quase dois leitores nunca ouviram falar do teólogo americano Karl Paul Reinhold Niebuhr. Mas é quase certo que sabem até decor a famosa Prece da serenidade, de autoria de Niebuhr : Senhor, me dê a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas posso e sabedoria para distinguir umas das outras.
À luz dos conceitos embutidos nessa prece, é curioso notar que Niebuhr, sendo teólogo, alertava particularmente contra três perigos: utopismo, messianismo e perfecionismo.
Bela, comovente oração. Mas, da maneira como vejo, utópica. Sim, paradoxal, em minha opinião. Pelo menos no que, com minhas infinitas limitações morais, me concerne. Nenhuma das três virtudes envolvidas na prece são meu forte. Não sou sereno e fico furioso com quem é. Não sou corajoso e tenho medo de quem é. Não sou sábio e duvido de quem é. Cresci em família fervorosamente católica e desenvolvi precocemente a capacidade de duvidar dos religiosos em geral e católicos em particular. Mantínhamos estreita proximidade com padres, párocos, coroinhas e beatos a granel. Fui testemunha ocular de padre que era santificado nas coversas em casa ser flagrado em affairs sexuais nada sacros. E, adulto, me assombrei com as denúncias de abuso sexual cometido pelos "homens de Deus" na alcova das sacristias. Jesus, haverá maior crueldade que um sujeito supostamente santo se valer de sua autoridade moral e religiosa para tirar proveito carnal duma criança? Em outras religiões, outros tipos de defeitos. Os judeus são extremamente egoístas e incapazes de generosidade para quem não pertença a sua seita. Radicais existenciais como os espíritas são para mim irrealistas hors concour. Faquires e ascetas em geral se anulam como gente para devotar a existência ao espírito, para nós ocidentais uma não-opção.
Acontece que Niebuhr tem uma outra citação famosa, essa sim mais do meu agrado: A capacidade de justiça do homem torna a democracia possível, mas a inclinação do homem à injustiça torna a democracia necessária.
O que, em primeiro lugar, nos coloca como grupo, com força coletiva para mudar o mundo, não mais como um indivíduo débil, desamparado, a quem só cabe almejar ao impossível e em assim sendo mudar apenas em sonho. E mudar, se, só a si, que dirá o mundo.
Agora chega de escrita bacharelesca, citações, explanações com ranço acadêmico. Pra variar ou não, me perdi pelo caminho e agora aqui sozinho não tenho aonde ir.
Os campeões da felicidade e seu de-bem-coa-vida são um tema recorrente em minha grande obra, no espelho quebrado que não tenho na parede do meu quarto.
Não é possível mudar seja o que for como for. Period, paragraph.
Podemos tomar como exemplo as maiores democracias do mundo como os EUA, Canadá e alguns europeus. Mas como todos sabem, a um preço, um preço nada módico. Os nórdicos têm sua infinidade de conquistas sociais, com estado paizão, garantias e proteções benévolas ao indivíduo e as maiores taxas de suicídio do planeta. Os americanos botam aquela vasta feira de princípios à disposição de seus cidadãos, do mórmon absolutamente refratário à tecnologia qual um Heidegger com quociente de inteligência mediano, passando por bárbaros que acreditam que um câncer ou AIDS seja castigo de deus, até chegar a insensatos para quem abortar é crime mas mandar um vilarejo iraquiano pelos ares tudo bem.
Você pode ser um consumista maníaco, um religioso cuja fé fervorosa aniquile internamente todos os resquícios das contradições que nos habitam, um falastrão tão encanado em sua compulsação a tagarelar, que acabou perdendo a capacidade de escutar, um eterno aspirante a escritor cuja única pretensão é não ganhar o nobel, mas apenas ir escarafunchando as tralhas que traz dentro de si para ver se obtém um aprendizado mínimo de como seus mecanismos funcionam.
Vimos construindo espetaculares sistemas filosóficos e arrebatadoras obras poéticas desde Sócrates e Homero. Metade da população da Terra vive para os estudar ainda hoje. É uma das razões por que se criaram e por que persistem. O socialismo consiste duma parafernália de conceitos que alguém periodicamente tenta botar em prática só para quebrar a própria cara e a de alguns de milhões outros que têm o azar de estar na hora errada no lugar errado. O socialismo só pode dar certo enquanto o Estado for capaz de manter um controle absurdo, totalitário, sobre os cidadãos. O capitalismo é a evolução natural duma diversidade de situações e fatores que redunda em relativa liberdade de expressão, locomoção, reunião e outras, liberdade que, quando leva a excessos e distorções e abusos, requer a intervenção do Estado para impor uma ordem mínima de convivência entre setores sociais que no mais das vezes têm interesses antagônicos ou conflitantes.
De onde tirei essa conversa sóciofilosófica? Provavelmente da grande discussão lá fora sobre Zé Dirceu e sua figura de sabe-se lá quantas máscaras. Eis aí um sujeito cuja vida é uma novela de formidáveis atribulações. Se diz e sempre se disse um herói. Há discordâncias. E veementes. De minha parte, acho mais razoável acreditar em quem o considera um aproveitador calculista interesseiro e mercenário. Afinal fez carreira vociferando contra as elites e hoje é amigo e "consultor" dos eikes baptistas da vida. Para mim é um mero playboy socialista, um aventureiro. Que, apesar da condenação e eventual cana, deu certo. Agora, sacando que dentro da xadrez sua fantasia de heroi provavelmente será rasgada, passou a investir na figura do mártir. Não deixa de ser admirável a obstinação do cara. Não larga o osso, o osso da mentira, nem que lhe esfreguem a verdade na fuça.
Nesse tipo de mascarado é mais fácil identificar mil contradições, pois se submetem a grandes exposições e vivem circunstâncias que são mais díspares entre si, mas elas, contradições, obviamente existem em cada um de nós. Em mim, as curto, as cultivo, as rego e as afago carinhosamente a cada instante.
A maioria, me parece, quer é enfiá-las sob um tapete, trancá-las num baú, atirá-las no fundo dum poço, fazer de conta que não está lá. São os positivos unívocos nascidos, merecidamente, para o júbilo. São os de-bem-coa-vida.

Blogando 0014

Espero que a numeração esteja correta. Boa ideia essa que tive de Blogando número tal. Tava ficando sem opções para os títulos das minhas postagens. Os quase dois leitores que me acompanham fielmente, tirando a carcamana aquela, sabem do que estou falando. Neste exatíssimo instante estou ouvindo Twilight Time com The Platters e me lembrei de que até os 14 ou 15 anos me intrigava que os autores da música pop não tivessem outro tema senão o amor. Digo, o amor juvenil, claro, nada a ver com o que acontece conosco e nosso amor depois do casamento, da maturidade, da responsabilidade, da luta pela sobrevivência. Bidu. O rock e congêneres é um gênero para adolescente. Por isso o curtimos, por isso o ficamos curtindo até altas horas da vida como se nunca crescêssemos. Sinto citar outra vez DFW mas, olhe lá fora, veja aquela grande indústria do pop baseada na nostalgia desta era de tubérculos semoventes. Putz, não queria estragar tua noite. Você está esperando acabar o jornacional para cair de cabeça na novela e não fica bem eu cometer mais uma das minhas indelicadezas. Eu também gostaria de ser capaz de devanear assim. Alguém me ensina?  Podemos cantar aquela música do Ghost num karaokê qualquer aí da vida. Cerrando os olhos para tudo e todos nós inclusive. Há tantas décadas ando tentando retornar ao meu estado juvenil il il

Theme From a Summer Place

Quando começar a entrar no escuro
se assegure de que um fio, qual o de Ariadne,
se estenda até o colo duma pessoa amada
sem estar retesado em demasia
mesmo que seja apenas aquele que
liga o presente a outro esplendoroso instante
na sua infância.

Minha parte dividida pelo número de mim

Sou forte.
Um soldado de mim mesmo.
Olhar focado no infinito, cenho compenetrado em minha missão designada de me policiar e proteger.
Posso crispar os punhos e retesar os músculos dos braços e esbravejar.
Sou forte.
O bastante para defender o que me cabe defender.
Que é que me cabe defender?
Não sei exatamente.
A mim mesmo talvez?
Mas sei que sou forte o bastante para defender o que me cabe defender.

Sou forte o bastante para esquecer.
Sou forte o bastante para não lembrar.
O bastante para olhar sempre avante.
Sou meu sentinela.
Sou minha princesa.
Sou forte.

Não saquei o cinismo das pessoas senão 30 anos depois de nascer


E os
seios foram dotados de 
bicos tão anatomicamente
chupáveis, e o pênis e a vagina formatados com tamanha
interadequação 
anatômica, e os pássaros 
incumbidos de portar
o pólen entre as plantas por serem tão belos e por isso
mesmo menos suscetíveis à 
predação 
pelo 
homem, e foram
adicionadas baratas para que às vezes pensemos, por que
existem certas coisas 
neste 
mundo?, e assim matutemos e
assim nos inquietemos e 
assim lutemos 
por 
melhorar,
melhorar, sempre cada vez mais, até nos convencermos
da naturalidade do 
mundo e concluirmos que tudo
é perfeito porque tudo 
é 
exatamente 
assim como 
é.
Mas, olha, está tudo errado.

Blogando sei lá que número


Zezeí vai aprendendo a liderar nossos passeios. Me mantenho uns dois ou três passos atrás. Ainda não contei que nunca usamos guia. Nas calçadas diversos velhotes aposentados, desocupados em geral, donas de casa e de apartamento e empregadas zanzam com seus cãezinhos de pelúcia. Alguns, se vê pela estirpe e orgulho do acompanhante, pequenos campeõezinhos. Todos, os da moda: poodle toys, shih tzus, bulldogs franceses, lhasa apsos e schnauzers. Nenhum viralata. Pra quem não sabe, schnauzers são aqueles que têm a cara do Machado de Assis. Zezeí nutre especial temor deles. Parecem defacto amedrontadores, embora de tamanho módico.

Mesmo sob 50ºC à sombra, muitos impõem camisetinhas e jaquetinhas aos seus bichinhos, que desfilam com os mais variados penduricalhos nas orelhas, nos topetes, nos rabos (ou devemos proferir "caudas"?). Os pobres diabinhos se tornaram as mais recentes vítimas do consumismo desvairado da classe média imbecil (se você é desfilador de cãezinhos e pertence às classes médias, não se amofine; meu adjetivo pode não se estender genericamente a todos que tenham tal perfil (ugh)). Existe uma onda assoberbante de humanização dos cachorros. Donos tarados querem trazer suas bestinhas à sua imagem e semelhança. Dada a desembestada evolução da tecnologia, na certa conseguirão mais dia, menos dia. Só espero que não a ponto de dono e bicho trocarem de papéis. 

Há uma rede de lojas para artigos pet (ugh) aí que fatura 400 milhões ao ano. Well, estamos numa democracia (ainda; pelo andor com que as classes baixas estão elegendo quadrilheiros lullistas, muito em breve seremos mais uma nação sob a égide do bolivarianismo chavista; desconfio que então seremos obrigados a entregar nossos mimosos pets às garras do Estado para que este os transformem em sabão de pedra em nome da revolução socialista). Well again, prefiro assistir à diuturna parada dos fofos malandrinhos caninos acompanhados de seus (às vezes) desorientados proprietários que ao avanço do Exército Vermelho Brasileiro pelas ruas e avenidas da cidade sob o ritmado rufar dos tambores de Zé Dirceu. Que extremos mais díspares esses que a nova configuração mundial nos coloca, não acham? Parece cada vez mais difícil tomar partido neste mundo.

Hoje pudemos desbravar quase dez quarteirões eu e Zezeí, ou melhor, pela ordem, Zezeí e eu, sempre mudando de calçada ante a possibilidade de cruzarmos com outros cães no contrafluxo. Zezeí pode ser bem aristocrática às vezes. Ao contrário da maioria de seus primos e tios, não sofre da característica curiosidade canina por outros espécimes de sua espécie. Au contraire, passa o mais longe possível deles. E é com garbo e nobreza que passa longe. Sem sequer dignar-se a um olharzinho de esguelha ao desprezado. Fico até compungido ante tamanha frieza.

Sob os 50ºC à sombra, todos trazem uma garrafinha de água mineral à mão. Seguindo a recomendação daquele médico que perora na tevê, certamente. Também resolvi seguir o doutor. Enchi de vodka gelada uma garrafinha de Minalba e lá fomos nós sete e meia da matina. 

Jesus, what a kink. Alimentado pelo aguardente de batata, meu tubérculo preferido, meu cabeção destrambelhado foi engendrando mil autodescobertas por passada, mil versinhos por atravessada, mil poeminhas por quarteirão. Meio desconsolado, sabia que tudo se pulverizaria em milhões de caquinhos de letras mal chegássemos em casa. É assim mesmo, mas. Até que estou me acostumando. Não se pode ganhar sempre. Quem disse que poesia é só aquela que se registra em papel ou na página dum blog?

Estavas tão familiarmente estranha, que esqueci teu nome. Estavas tão arrebatadoramente sedutora, que procurei ávido o cheiro da tua buceta. Tua língua em minha boca era o passaporte à dimensão que me faltava, te disputando com os três mosqueteiros, os três patetas, os três cavaleiros do apocalipse e o infinito aborto. Pois eras tão desconhecida, que não reconheci teu rosto.

Voltamos e comecei a construir uma usina de refazer pensamentos meus next to meu alambique artesanal onde haveremos de misturar a batata com cevada, centeio, trigo e milho. Estamos pensando também numa fábrica de salgadinhos amanteigados junto com um laboratório de Marrobone com fragrâncias e aromas especiais das montanhas do Afganistão, terra do meu saudoso Flip.

Logo será novamente nossa hora. Eu e Zezeí, digo, Zezeí e eu estamos sempre prontos para o que der mesmo que não venha. Se formos nós, será bastante.

Blogando 0012


Manhã de domingo. Domingo de manhã. O vizinho liga sua chaleira barulhenta e acelera fundo, mostrando que acordou e nos quer acordados. Não tem grana para trocar o escapamento. Os vizinhos, todos, vivem para seus carros. Trabalham para e se deixaram escravizar por. Exceto o da frente, que não tem. Fico imaginando por quê. Meio que me encafifa, na medida em que me permito me encafifar por outros. As pessoas são tão planas e lineares. Se vestem do mesmo jeito, riem do mesmo jeito, falam as mesmas coisas do mesmo jeito. Estão satisfeitas com o que lhes coube. Inclusive o da frente. Esse fez um jardim onde era a garagem. Do qual um jardineiro cuida periodicamente. É esmerado. Usa roupinhas que parecem ser de grife e deve fazer academia, se vê pelo físico modelado. O esmero também se mostra em sua casinha. De todas, é a única que tem personalidade. Eu também gostaria. Eu também gostaria que a minha também tivesse se tivesse paciência para esse tipo de coisa. Será que sou igual a todo mundo? Em parte, talvez. Não me visto do mesmo jeito, não rio do mesmo jeito nem falo as mesmas coisas do mesmo jeito. Mais por injunção que por opção. Mas é domingo de manhã, manhã de domingo, e não vou filosofar. Nem cair nas minhas velhas digressões. Hoje quero um pouco de controle. Vou tentar manter um pouco de controle. Controle me faz mal. As doenças de que padeço, cada uma delas, e são tantas, as devo ao controle e à minha inépcia a ter controle e à minha ojeriza a controlar e a ser controlado. I'm easy like a Sunday morning. Nove horas. Cinquenta anos atrás estava passando pela grande porta da matriz com papai, mamãe e a mana. Que delícia. De volta à liberdade e ao livre arbítrio depois de uma hora sob o mais cruel, o mais nauseabundo controle católico. Dali rumávamos para a casa de vovó, a apenas um quarteirão e meio, onde toda a família se reunia para o almoço dominical. Vizinha à casa havia uma igreja protestante em cujos cultos tocavam o dia inteiro um órgão mortalmente entediante e que tinha aparência muito mais sóbria que a nossa matriz carregada de imagens e rapapés estilísticos. Dentro da casa, um bando de gente rabugenta e ruidosa, especialistas em fungar e resmungar, sempre torcendo e retorcendo seus nasones carcamanos e ranhetando em suas vozinhas irritadiças e seus vozeirões sonolentos de nenês chorões. A maior concentração de neurastênicos do Estado de SP. Era um choque insentido, do qual vim a ter consciência só anos depois, na barafunda da adolescência, me deixando no fundo da garganta esse sabor amargo de herdade amaldiçoada. Será que o Lula também sente isso? O candidato do Lula está levando Sampa hoje. Horror. Fim do mundo. Fim da picada. The end my friend. Quero ir embora deste país. Deste país de amorais aproveitadores e vagabundos sempre à espera de que seu pão caia do céu direto na cesta para não terem sequer o trabalho de se abaixar para recolhê-lo ô. O gayzinho está fechando a porta para mais uma de suas saídas misteriosas. Que gayzinho? O vizinho esmerado. Qual é o diminutivo de vizinho? O vizinho gayzinho nunca recebe ninguém, nunca o vi acompanhado. Aparentemente não tem amigos e, se tiver parentes, nunca o visitam. E parece não ter namorado tampouco. Um vizinho esmerado solitário. Um vizinho esmerado solitário discreto. Quando estou saindo com Zezeí e damos de cruzar na calçada, ele me saúda cum aceno seco da cabeça. Seco mas não hostil. Existe até um sorrisinho acolhedor no rostinho infantil. O meu, sim, é. Pois sou. Sei que não dá pra notar. Os vizinhos notam, porém. Não sei se me regozijo ou deploro. Ora um, ora outro, dependendo do meu estado mental. Que é extremamente volátil. Sei que não dá pra notar. Quando escrevo sou capaz de filtrar minhas idiossincrasias para que minha escrita se fundamente em parâmetros e critérios outros. Não, não pensem que é tudo invenção. Os vizinhos pelo menos não. O calor africano está voltando. Preciso botar umas cortinas brancas na janela e tentar amenizar este crematório. Joguem minhas cinzas no rio dos Meninos. Para que se juntem ao caldo negro de estrume, fezes e querosene e se depositem no fundo do leito, um bom lugar para meu descanso eterno. Agora tenho de ir até a rotisserie do italiano ver se sobrou carne assada. Senão, vai frango atropelado mesmo. Que seria da humanidade sem frango? Christ, que foda ser duro. Sai um frango pro durango. Outro pro durango aqui. Mais um pro durango ali. Tem carcamano demais nesta cidade. Leio no blog da família que nono e nona desembarcaram do vapor Regina Margueritta que aportou em Santos no trágico mês de fevereiro do catastrófico ano de 1897 e de lá puxaram o carro para a infeliz Espírito Santo do Pinhal no lúgubre interior do Estado. Longe pacas de Las Vegas, a cidade civilizada mais próxima. O nono e a nona do italiano do frango idem. Coitado. A esta hora podia estar feliz da vida em Nova York gerindo o tráfico de crack e o aluguel de putas. Eu provavelmente estaria fazendo o mesmo que faço aqui, i.e., espiando a vizinhança e matutando o que escrever, seduzido pelo meu fiel copo de balla na mão e hipnotizado pela garrafa sempre ao alcance dos olhos. Como todo escritor alcoólatra, nutro a conveniente fantasia de que escrevo melhor alcoolizado. Atualmente não me atrevo nem a almejar a escrever melhor mas a simplesmente escrever. Estou num dos meus malditos interregnos criativos. Bebendo como nunca pra ver se a inspiração volta. Sei, objetivamente, que só piora. Pelo menos é um bom motivo. Para ambos: beber e escrever. Carcamano, lá vamos nós. Zezeí vai direto para o pé da máquina de assar e ficará lambendo o chão em torno, respingado de gordura. Foi aqui em frente outro dia que uma cadela pitbull pegou outra, viralata, que estava presa na guia por seu dono, e só não a matou porque este humilde blogueiro agarrou a agressora pelas patas traseiras, chacoalhando-a-a até que largasse a pobrezinha da vítima, que, ainda mais, era cega. Até que foi legal escrever nesta manhã de domingo. Domingo em geral vou derivando macambúzio rumo à noite, do que só uma garrafa novinha em folha de balla me salva. Voltarei a experimentar. Queria escrever mais, o dever me chama mas. Nem sempre escrever diverte. Tô meio sem grana. Preciso arrumar um jeito de ganhar dinheiro. Se não fosse vasectomisado tentaria levantar uns trocados num banco de esperma. Quanto será que pagam a dose? Será que testam à procura de vasectomia? A ideia, sim, me diverte. Deixar minhas neuroses, que não são nada softs, sei que não dá pra notar, para um desconhecido por aí, pobre diabo, não tendo um pai em quem descontar a raiva de ter nascido. Qualquer hora vou até a praia com uns três litros de balla, alugo um barquinho e me mando pr'alto mar. É uma promessa. É um plano. Percebi nos últimos dias que há alguém traduzindo este meu humílimo blog para o inglês através do Google Translator. Só pode ser a Camille Paglia. Pelo menos aqui ela não haverá de encontrar motivos para descer o malho em blogueiros que não sabem escrever, como sempre faz. Ô língua maldita. Este é pra você, carcamana. Em Blogando 0013 vou contar como fui salvo do assédio dum homossexual quando estava parado na esquina olhando o trânsito passar e vou explicar, ou tentar, a calamidade que este calor desumano provoca nas mulheres desta cidade esquecida por deus e desprezada pelo diabo. Falarei ainda do cartaz de "procura-se" colado num poste com uma foto minha. E por que passear nesta cidade é mais difícil que baiano ter enfarte.

Enquete submetafísica


Prezado pesquisando(a), imprima este formulário e registre suas respostas no papel. Posteriormente, nos envie-no para que possamos cruzar e compilar o output e submeter o subsídio ao governador do Estado.

Gratos.

1) Qual ano você acha que foi cabalístico em sua vida?

Não, não vamos perguntar por quê. Sabemos que cada um de vocês aí fora tem um ano especial e, para nosso azar, o mesmo difere caso a caso. Em geral, porém contudo, o tal ano é sempre o do início da adolescência de cada infeliz, não é mesmo? Ô raça dura de crescer, caráleo!

2) Quem é o amor secreto de sua vida? 

Olha, tudo bem, entenderemos se você disser que não tem nem nunca teve amor secreto. Olha, entenderemos até mesmo se você disser que não tem nem nunca teve amor de nenhum tipo, seja secreto, explícito, anunciado, propagandeado, o cacete. Sabemos (ou pensamos que) como são essas coisas. Sabemos, é foda ser terráqueo, terreno, seja lá como se chamam os seres provenientes deste planeta. E olha pela terceira vez, esta segunda pergunta enseja um tratado filosófico e poderia se estender por, sei lá, quinze mil tópicos. Certo, somos doidivanas mas não a ponto de suscitar tão tremenda quantidade de comentários. Sobretudo porque sabemos que ninguém os lê nem lerá. Porra, inutilarismo voluntário tem limite.

3) Você costuma olhar distraidamente para os lados da esquina achando que enxergou um vulto conhecido que poderia lhe trazer de volta aquela lembrança da infância ou a chave dos mistérios da existência?

Se sim, putz, deve ser triste. Nós aqui do outro lado nunca passamos por experiência tão horripilante. Notwithstanding, podemos imaginar a barra que seria. Em pleno 2012 ainda sobrevivem centenas de pequenas aldeias indígenas alheias à civilização européia, não é mesmo? Rousseau, Kant, Hegel, Chauí, Delúbio, será que esses caras ainda mantêm em suas cavernas a esmagadora verdade que, se um dia escapasse do círculo de doutos, poderia redimir a raça? Obviamente não há resposta para essa nem para outras perguntas de semelhante... semelhante o quê? Jaez?




Blogando 0011

Não sabia o que escrever e saí pra rua pra ver se me inspirava. E mil inspirações então vi. Uma especialmente interessante. Mas esqueci.

E eis-me cá de volta ao meu canto, desinspirado pirado ado do. 

Tudo a que me atrevo é escutar In my life com os Beatles.

Não vou nem tentar falar de In my life com os Beatles. Exceto que foi a música que marcou a passagem da minha infância para a minha adolescência e povoava meu cérebro e minha mente 58 horas por dia e noite e me indicava que não, eu não estava condenado àquele vidinha miserável sob o pragmatismo de fim de feira de mamãe e papai e que, sim...

Puta merda, sim, marcou, a minha passagem e as de bilhões de outros adolescentes neste planeta de merda.

Peraí, bilhões de outros adolescentes neste planeta de merda.

Os Beatles e suas revelações e suas esclarecidas e suas emancipações, tudo isso é meu.

Lá no meu cantinho reconstruindo a infinitude dum mundo que, achava, que, achei, me cabia, me restava, me coube, me restou, tudo se encaixava tão bonitinho com nada, nada se desencaixava tão bonitinho de tudo, havia sim uma lógica no meu cantinho destituído do amor pelo qual clamei a partir do meu primeiro berro na maternidade.

Fôdasse.

O ônus da prova cabe à promotoria.

Nasci e estou preso e condenado.

Brado e esbravejo, como há de todo homem bravo.

Nasci covarde incrementando à bravura.

É ela bravura minha?

Gargalhada.

Você acertará se disser que sempre volto ao meu jogo da amarelinha.

Senhor juiz, as testemunhas estão corretas: sempre volto ao meu jogo da amarelinha.

Sou culpado.

Blogando 0010


Bquiu Xpefmi Czoio vai navegando pela Rede Geométrica Infinita sem rumo certo. Rola páginas e páginas e mais páginas para baixo, desliza páginas e páginas e mais páginas para cima, sem se animar a ler mais de duas linhas. Nem mesmo algumas fotos da periguete-sensação do momento, Ndeupe Qraai Qsual, se exibindo peladinha em todo seu frescor e volúpia, com todos os 15 seios à mostra, são capazes de reter a atenção do garoto.
Bquiu Xpefmi Czoio está enfarado.
Ainda sem grande entusiasmo, solta um profundo suspiro de cansaço. Isso é suficiente para desligar a Hiperinternet vHiJdU 50.000 ponto 5. Bocejando, conecta o Ultraastronommer aMqeBe AgsU jbiMhe sFe que ganhou de presente de sua mãe Jcura Pojva Ale em seu octagésimo-quinto aniversário. Bquiu sequer sabe direito o que o Ultraastronommer aMqeBe AgsU jbiMhe sFe faz. Se for igual ao Ultraastronommer Oa Ge Xo Oilhuhvorde Ti Bhui que ganhou ano passado, não vai nem querer saber. O último modelo do Ultraastronommer só conseguia ler as 140 primeiras palavras dos pensamentos dos outros. Ou seja, era uma grande porcaria.  Enquanto abria a embalagem, com a festa do aniversário já caminhando para o fim, parecia ter ouvido mamãe Jcura mencionar algo sobre viagens pelas estrelas. Na hora, estava entediado demais para atentar às ladainhas ultrapassadas da velha.
Ai que tédio...
Surge uma nuvem na tela em 8D. Nada espetacular. Nem mesmo interessante.
Com outro bocejo, Bquiu desliza o controle da resolução, incrementando o número de pixels para 8 bilhões por nanomilímetro. Certo, trata-se duma resolução para ninguém botar defeito, mas que emprega PseudoTecNologIa CabAlístico-AbracadabRante de antes de ontem. Totalmente ultrapassada. Ai que bode...
Hmmm, parece que é uma nuvem de estrelas... pondera Bquiu, fazendo coruscar a um-terço de cintilação endômica uma das pupilas do olho extremo-esquerdo.
Ah sim, ali está Urgoqe, apenas 5 trilhões de anos-luz distante da Grande Nave-Mãe qGim vEfBeAa aiMm Xia fmeL. Nada doutro mundo. Bquiu passou as férias escolares do ano passado naquele lugarzinho chatérrimo com seus camaradas hologramáforos aE mbuiciiO xfI e pI ssiE cO. Assim que os três voltaram da viagem, Bquiu cortou os feixes de luz de aE mbuiciiO xfI e pI ssiE cO. Os dois eram muito xaropes. E comiam laser além da conta.
O enfastiado navegante aciona outro controle, desta vez incrementando a intensidade das 5 quatrilhões de centelhas submersas de luz branca imbalançada através dum ângulo higgs-bosoniano irrestrito. Na tela do Ultraastronommer a mancha que parece salpicada de farinha dá lugar a imagens bem definidas de estrelas. Bquiu aponta o olho intermediário para um determinado subquadrante -100000-300000 e por sobre uma das galáxias exibidas no visor em oFxEe VMSbua de 7 dimensões interretroprotoespelhares pisca uma legenda:
VIA LÁCTEA.
Alguma coisa acontece na zona ainda humanossensibilizada do hipotálamo desassexuado ultravioleta do cérebro inferior do rapazola. Onde tinha visto esse nome antes? Sentindo uma ligeira perturbação, algo assim como um incômodo indistinto e inédito, ele ativa o afbEm bsUNle. Ah, aqui está: conforme aprendeu no 85º ano da 15ª série, era nessa tal de Via Láctea que ficava aquele grãozinho de poeira onde os ancestrais da raça homorucdrbulvehxaipepm tinham-se originado na Era Pré-Debandada-Geral-Para-Além-E-Mais-Um-Pouco. Como se chamava mesmo o planetinha? Cquqrrl? Jusesi? Ugqu? Espevitando o último apêndice do dedo indicador da mão bifurcada extremo-direita, Bquiu lambe a anteninha do afbEm bsUNle. Um diminuto planeta acizentado se mostra todo na tela.
Na legenda, o nome: TERRA.
Abaixo, uma breve descrição: Corpo celeste da Categoria QueCi aIPul Sub-Alfa (a mais ordinária de todas) cuja vida foi extinta quando sua estrela central, denominada Sol, se apagou repentina e imprevisivelmente há exatamente 36 milhões fa, 707 mil ti, 23 anos iflal, 145 dias qpaja, 13 horas ba, 29 minutos diohi viqxo piemxi 3 segundos, 4 segundos, 5 segundos, 6 segundos...
Mais abaixo ainda, o aparelhinho lança uma pergunta: DESEJA ATIVAR RETROCESSO TEMPORAL?
Por que não? Bquiu dá de ombros. Já que estou aqui...
Ele faz que sim com uma das cabeças. A máquina emite um gemidinho (será que já está com defeito? o menino se irrita ante a possibilidade; essas tranqueiras vivem pifando!). A tela se expande até o tamanho natural. O tempo retrocede 36 milhões e 700 mil e poucos anos.
A vida no tal planetinha Terra começa a desfilar diante dos olhares indiferentes do garoto. Nada digno de nota. É um lugarzinho ridículo, repleto de bodegas, botequins e espeluncas, todo atravancado de badulaques, trastes e cacarecos. Tudo muito cinza, muito sujo, muito feio, recoberto por uma infindável camada de água fedida e asquerosa. Aqui e ali pode-se avistar uns serezinhos esquisitos, tendo no alto o que parece ser uma abóbora brilhante no meio da qual uma forma primitiva de olhos piscam como se quisessem dormir. Abaixo da abóbora há dois apêndices articulados que pendem de cada um dos lados do corpo, o qual, nas esparsas áreas secas espalhadas pela vastidão de água imunda, é movido para lá e para cá por outros dois apêndices igualmente articulados. Cada qual destes últimos é sustentado por uma espécie de pata também primitiva e grotesca.
Ugh! Que ea tcie fz oa ge xo oilhuhvorde ti bhui qpaoie! enoja-se Bquiu. Não é à toa que de qs vr o ifel diidu ixudi io njagxu hm sjie ro cvojmu pcupl pge rdo vm opjatz jniviz...!
O sorumbático adolescente abre um novo bocejo, já decidido a desligar a geringonça e retornar à Hiperinternet vHiJdU 50.000 ponto 5, quando um ruído estranho vindo dos superhiperultra-altofalantes do Ultraastronommer chama sua atenção.
Surpreso, ele sente o ânimo se elevar instantaneamente.
Afbem bsunle queci aipul fa ti iflal qpaja...? comenta em voz baixa.
Abana uma das orelhas e a máquina dá Stop, interrompendo o retrocesso temporal.
O som exótico emitido dos superhiperultra-altofalantes se intensifica. De repente, o profundo enfado de Bquiu desaparece. Imagens vagas, coloridas e disformes passam por seus cérebros, originando assombrosos pensamentos, pensamentos que nunca teve antes.
Ba diohi viqxo piemxi ea tcie fz!* exclama, tomado de enlevo.
*Tradução: Estou com vontade de sonhar!
Focando todos seus olhos na tela, fica ansioso por informações sobre aquele som hipnotizante. E vê uma cena a princípio incompreensível: vários daqueles seres esquisitos com abóboras no alto e apêndices embaixo estão sentados formando um semicírculo ao redor dum outro sujeito esquisito, que está em pé. Todos têm uma cabeleira clara sobre sua respectiva abóbora. Os sentados seguram um instrumento entre um dos apêndices superiores e o que parece ser um queixo. O instrumento é dotado de cinco fios retesados. Com o outro apêndice, os esquisitos sentados fazem deslizar uma vareta pelos fios esticados.
Então Bquiu se dá conta de que o som estranho é produzido por cada uma das passadas das varetas em cada fio.
Agora já completamente excitado, Bquiu não se contém e se põe a clamar:
Qpaoie de qs vr o ifel diidu! Qpaoie de qs vr o ifel diidu! Qpaoie de qs vr o ifel diidu!
Ato contínuo, surge ao seu lado ninguém mais, ninguém menos que o formidável, o incrível, o maravilhoso, o monumental, o portentoso, o sensacional Crur Mdoze Lha.
Que foi desta vez, Bquiu Xpefmi Czoio? Já não lhe disse para não me interromper quando estou tomando banho com minhas cento e vinte esposas?
Me desculpe, adorável, fantástico, estupefaciente, extraordinário, assombroso Crur Mdoze Lha, meu pai. É que pensei que você gostaria desse sonzinho aqui...
Dizendo assim, o garoto incrementa o volume do equipamento e os acordes do primeiro movimento do Sexto Concerto de Brandenburgo começam a flutuar pelo ambiente, transportando Crur Mdoze Lha a um doce estado extasiante e deixando seu filho muito ligadão.
Mas que apito mais bonito, esse! exclama o formidável Crur, apurando os ouvidos.
Mucho loco, né paizão! concorda Bquiu. E manja só essas guitarrinhas maneras...!
Muito louco mesmo, Bquiuzinho! Onde você descolou essa maravilha?
Eu tava mexendo com a Máquina de Retrocesso Temporal coisa e tal, daí cheguei naquele lugar chamado Terra, saca? Então, quando caiu no ano 1721 a parada começou a tocar.
Quem será que fez esse sonzinho divino?
Ora, meu formidável paizão Crur! Lembra na escola quando a gente aprende que milhões de anos atrás os caras acreditavam num ser que chamavam deus? Pois é...

Então traduz esta, Mr. Walter Kaufmann

O problema de querer ser
Quando estamos o que somos
É o problema de querer estar
Quando somos o que estamos

Um hippie cangaceiro

Ele tem a voz cristalina dos cantores do folk americano
Entoando suas baladas lamentando que tudo tenha dado tão errado
Ao ouvi-las, nossos corações se paralisam duma ambígua surpresa
Como pode esse trovador juvenil denunciar as mazelas do mundo
Com tamanha propriedade?

Ele tem o olhar translúcido das raças do Norte da Europa
Que pousa em cada um de nós displicente, insondável, quase apático
Um brilho enigmático que por si nos dá a dimensão da nossa culpa
E então ficamos silenciosos, matutando, como pode esse ser tão
inocente conhecer tão bem nossos pecados?

E para nos intrigar ainda mais, ele nunca escondeu — e sabemos
Muito bem que ele nunca escondeu mas nem por isso temos ânimo
Para julgá-lo inocente — que leva a vida que todos levaríamos se
Fôssemos suficientemente corajosos para ser felizes.