Redentora covardia

Teu beijo em ricochete
Me liberta da literatura
Me salvando da vida
Me escravizando em mim
Exausto de carregar a cruz que não posso largar
Ensaiando o papel que jamais saberei cumprir
Te beijo te imaginando nessa pose de madona quinhentista num prado português
A bebericar uma garrafa de Porto
A escutar um fado
Não trataremos de Pessoa, Lobo Antunes, Sá Carneiro
Naturalmente
Falarás apenas de ti, falarei apenas de ti
Assunto para minha vida inteira