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Ano e meio atrás postei em meu outro blog uns textinhos expondo a ojeriza que me causa a inconsistência de Reinaldo Azevedo em seu dubiíssimo combate contra a fraude lulopetista. Com tais textinhos acabei por perder o que me restava de leitores naquele blog e provoquei até mesmo a reprovação de alguns dos quase três e meio que me acompanham mais fielmente, sei lá por que cargas daquele líquido cada vez mais escasso no mundo.

Eis que ontem deparo cuma postagem n'O Antagonista destoando do oba-oba com  que os direitistas em geral embalam as histéricas, auto-elogiosas diatribes de Azevedo e sua incompreensível perseguição aos procuradores da Lava Jato.  Surpreendentemente, a postagem d'O Antagonista foi respondida por mais de três centenas de comentários dos leitores descendo a lenha no outrora ilibado Uncle King.

Então resolvi reeditar aqui um daqueles meus textinhos, enquanto caço meio aflito o rastro da minha inventividade perdida. Parece que desta vez meu bloqueio de escritor veio pra valer. Não é keine Kartoffel, creiam.

Aí vai.


Um jornalista poderoso, lógico

Como eu desconfiava e esperava, o paladino da lógica e da honestidade Reinaldo Azevedo não perdeu tempo – parece que seu teclado está trabalhando a todo vapor na defesa de Marcelo Odebrecht. Meu, jornalista poderoso pode ser tão sujo quanto qualquer político ou empresário podre. Azevedo tem o rabão preso não apenas com seus patrões da Abril mas também com inúmeros mandachuvas da República. Quem o acompanha regularmente percebe as piruetas mortais com que ele tenta construir um discurso consistente. Agora com o caso Odebrecht a máscara cai de vez. Não se passa um dia em que Azevedo não jogue copiosa quantidade de confete na própria cabeça. E é simplesmente incapaz de redigir uma só postagem em que não se autovanglorie e faça promoção dos próprios dotes e talentos. Dos comentaristas políticos mais importantes dos grandes jornais e revistas, ele é único, não há dúvida – consegue se colocar em posição mais vistosa que os assuntos que aborda. Dora Kramer, Eliane Cantanhêde, Merval Pereira, Míriam Leitão, Marco Antonio Villa, Fernando Gabeira, todos esses têm em comum uma visão crítica e severa do lulopetismo, mas só Reinaldo Azevedo atua como guru de sua turba de seguidores. Seus textos quilométricos, sua retórica frenética, sua truculência verbal, seus xingamentos repetidos e repetitivos desempenham uma função: a de operar um ritual catártico através do qual seus leitores enxergam não um jornalista e sim um totem libertador. Daí estarem mais para fanáticos que para leitores. Mais que análise, buscam remissão e compensação psicológica ante as intoleráveis reinações do demônio de nove dedos. É aí em que entra areia na capacidade de interpretação lógica de que Azevedo tanto se gaba. Os idólatras que o acompanham caninamente estão hipnotizados e não veem. Se vissem, certamente estranhariam que ele jamais estende seu poder crítico na direção das grandes amizades que fez em seu métier de blogueiro poderoso. Entre os amigos que o sujeito tem poupado de sua verve incendiária estão gente graúda como a ministra Kátia Abreu, que de repente virou amiga de infância de Dilma Rousseff e contra quem Azevedo nunca emitiu um “a”. Ou o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que na eclosão do escândalo do mensalão se mostrou um incansável caçador de mensaleiros para logo em seguida se tornar amigo de infância de Lulla da Silva. Sem falar do notório Eduardo Cunha, sem dúvida um fisiológico de causar arrepios nos brasileiros honestos, que parece ter-se tornado herói de Azevedo depois de eleito presidente da Câmara dos Deputados. Ao que tudo indica, Marcelo Odebrecht também faz parte do círculo de amigos do inclemente perseguidor de petralhas.