De circunspectos

Distância, é o que peço
Circunspectos não me causam ódio
Apenas desconfiança
De mim mesmo

E, sim, circunspectos me dão medo
Medo de que seu risinho circunspecto se volte em minha direção
Se divirta com meus destemperos
Brincando em pensamentos com minhas paixões exaltadas
A debochar da minha imprudência
circunspectamente, eis aqui um serzinho que expõe
Às circunspectas feras
A si

Distância do enxadrista
Que antes do jogo me deu xeque-mate
Do expert em assepsia que sabe como não sujar as mãos
(Para mim a maior das façanhas)
E do premeditado que não dá ponto sem nó
Para nunca ter de enfiar a viola no saco

Não, circunspectos não me causam ódio
Ódio é tão ardente, inebriante licor dos tolos
Pista para o refúgio dos incautos
Medo, o luminoso aclamando em néon minha fraqueza

Não. Minto! Tenho ódio e medo
Mas não serei cafona
Não sairei do sério
Não darei bandeira
Como exímio circunspecto
(Que não sou)

2 comentários:

  1. Nossa meu, vc arrasou hein, nota 10,5

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  2. Muito bem efeito esse (e os outros) poemas.

    Deixo aqui a minha contribuição ao blogueiro!

    Abraço


    blog
    Site Comunidade Literária Benfazeja

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