Ainda não

Os olhos não verão mais
E as imagens não serão mais vistas
A voz não pronunciará mais palavras
E as palavras não serão mais pronunciadas
A cabeça não ficará mais vazia e o diabo perderá a magia
Que pena
Ninguém mais sonhará com seu narizinho
Quando ela abria seu sorriso convidativo e publicitário
Nem em nenhum outro lugar do mundo
Se fará de conta que seu cabelo não se esparramava pela escápula
Semicobrindo o colo
(tais fenômenos voltarão a dormir além dos poderes da ciência)
O rapazola prosseguirá incomunicável
Por vontade e incapacidade próprias
Ele bem que avisou, olha, é um perigo
Despistando, se disse covarde
Prometendo que ficaria ali em seu lugar
Só imaginando (é o que mais fazem os covardes)
Pelo menos não enlouqueceria mais do que já estava
Tudo começara quando se lamentou
Que pena
Os olhos não verão mais
Ela não seria mais vista
Por que afinal não arrumara o que fazer além de enlouquecer pobres rapazolas como ele?
Colaborando com os novos tempos
Ajudando a reciclar um fóssil atolado na areia movediça da contemplação
A memória não mais se lembraria daquela alça negra que sustentava seu seio esquerdo
E não haveria mais nenhuma vontade de rompê-la a dentadas
Nem predador que bebesse aqueles brinquinhos pingando dos lóbulos de loba
Chegara a hora de dormir
Profundamente