Não, mum, keep esses fiapinho away from me enfim

Queria
Queria ter
Queria ter...
...nascido filho duma âncora.
Não carecia âncora afetuosa a me cobrir de afagos. O filho duma âncora viria ao mundo conformado com sua sina. Seria essa talvez a maior vantagem de nascer para ser filho duma âncora. Tampouco ia desejar independência. Ou autonomia. Âncoras xifópagas, eis o que seríamos, eu dependurado pelo elo da cabeça em algum ponto do corpo rijo e escultural da grã generosona genitora.
Filho duma âncora, ouso afirmar que os problemas que normalmente me afogam passariam ao largo. Me empolga a possibilidade de vir ao fundo do mundo desprovido mesmo dessa horrível condição dos humanos: a descendência. O suprassumo das delícias obviamente seria a consciência. Da mais absoluta indecência. Quer dizer, a falta dela. Que por sua malfadada vez me livraria das especulações metafísicas. Que por sua desfortunada vez me manteria afastado de outras duas condições que fazem dos humanos flagelos cotofalantes: 1) a rebeldia e 2) a desobediência.
Filho duma âncora, as palavras de mamãe ressoariam em seus ouvidos qual comandos entremeados de cliques metálicos que sua também inexistente imaginação (ah! a doçura de nunca sonhar!) sequer cogitaria desafiar. E, em não havendo indisciplina, só lhe caberia cumprir a missão de prosseguir grudado no atlético corpanzil da mãe.
E, jesus amado idolatrado, filho duma âncora, não seria sem-vergonha a ponto de enumerar ao tédio cada uma das vantagens óbvias de ser uma âncora.
Só quero concluir que, filho duma âncora, viveria para todo o sempre de pernas escancaradas para gozos aos quais torceria meu nazzo de ancorazinha pernóstica. E de braços eternamente abertos para quem se dispusesse a me salvar.
Ela mesma filha duma âncora (será?), teria saúde de ferro, ó mãe, por que não me salvaste? Xifopagamente, só nos restaria torcer para que o Marinheiro nos deixasse a enferrujar na profundeza em banho eterno.