Suburbano comprimido e era tão fácil

Há,,, uns::: 9 anos???? Só sabia escrever sobre meu despertar O despertar me fascinava>>> a mudança de estados, uya, na minha série Vida a três, digo, dois Maria Luísa vevia encafifida com o fado de bassarmos a noite deidados veido defundos, pobre Maria Luísa, acho que suspendi a série de tanta peninha daquela maluquete, que beninha, podia ter publicado um belo libelo, inscrito num desses concursos liderários por aí, mostrado pros barende – amigos não, não denho amigos – e brincibalmente visinhos, ô raça de filhos da buta que são meus vezinho, a vida é um porco dum ator dublando deus fora de sincronia.
Olha só como é gostoso visceralizar. Basta soltar, soltar o que quer que está te segurando, a rédea, o cinto, a mão de papai e deixar rolar. Sabe quanto da literatura foi escrita sob esse método através dos séculos? Uns 86 por cento, calculo, por alto. Tenho certeza de que quem não escreve nem nunca escreveu fica se perguntando de onde tiramos isso, como inventamos aquilo, que raio esse cara tá falando. Bem, não é tão complicado ou misterioso quanto possa parecer. Tudo, quase, se resume, como disse, a deixar rolar. Também não é tão fácil quanto soa, você sabe. Aprender a segurar até que foi moleza, não foi? Cada um de nós se saiu relativamente bem na lição e vem segurando com todo o afinco. Soltar é que são... elas. (Desculpe o truquezinho das reticências só pra não perpetrar um clichezão do tamanho dum bonde. Mas não concebo a escrita sem clichês. Não sou um daqueles françoises do Oulipo que, no dizer do Gore, escreviam pra ser estudados, não lidos.)
Falando em Gore, era dele que queria falar quando mencionei a viceralização da literatura. Deixando Gore de lado – Gore desprezava os viscerais e suas vísceras, não à toa, WASP e tudo mais, se fosse bilionário não teria vertido uma linha sequer, que merda essa coisa de querer ser escritor, papai nunca quis ser poeta, ao contrário do pai do Huxley, papai não tinha mãos e braços de poeta mas de roceiro e as enxadadas que andou dando a partir da década de 1920 na região de Araraquara devem ter sido mais líricas que muitos versos ociosos ofertados ao mundo por mera veleidade –,
Vísceras terceiro-mundistas e gauleses cartesianos, antípodas extremistas que não quero mais entender, chega.
Há 9, 10 anos, quando acordava e pulava da cama pra não perder o fiozinho de seda que conseguira reter do turbilhão de vida que acabara de passar sozinho debaixo dos meus lençóis, oh lord que a manhã ainda de ontem me faz este pateta melancólico ardente pelas vidas que não viveu.
E olha que já nem me atrevo a estender o olhar para além duma década atrás. Se um mágico num circo me chamasse ao palco e perguntasse quanto eu pagaria por ressuscitar minha adolescência e minha infância razoavelmente inteiras das minhas catacumbas mnemônicas.
Quanta bazofisse, dear lord. Hoje tentei ler dezenas de poetas e não avancei além do segundo verso. Volta e meia alguém mata o romance – é uma arena de moleques teatrais, u know – sim, muitos romancistas o mataram de fato, acidentalmente, e o féretro foi conduzido pela usual crítica de plantão.
Então acordava imortal e se os em volta bobeassem desandaria a fazer um dueto com Birgit Nilsson em Liebestod e nossa empregada Quitéria pediria bis.
Quitéria fora trazida de Catende, Pernambuco, por seu marido Gastão, e papai lhes arrumou dois cômodos no porão da casa antiga. Aos meus 14, pedia que tocasse de novo o clímax de A day in the life e tocava e Quitéria saía varrendo a cozinha entendedora de arte. (Vou deixar bem aqui um lapso pra você preencher com tudo que a vida me omitiu.)
Alguém aí conhece algum blog legível por aí? Não sei mais o que ler. Não acredito em mais ninguém. Mesmo que leia e acabe concluindo que é legível. A literatura está morta. A literatura morreu. Mataram a literatura? Nunca saberemos. Se sim, quem foi? Quando? Quem você diria? Os óbvios? Também. Mas se a mataram por que ela se deixou matar? Não se vai matando uma literatura assim sem mais nem menos. Indícios? Evidências? Perícia? Posso dar um testemunho: se ela estava tão cansada quanto estou neste exato momento, então foi tarde. Não é essa a sentença que costumam decretar para os moribundos?
Ah, nos tempos em que acordava cedo de manhã imortal. Seco pra obrar um poemeto pessoniano. Os críticos reclamam dos imitadores de Pessoa. Merda, quem já leu Pessoa só pode remedar Pessoa pelo resto de sua existência. Se tentar fingir que não é pior. Eis a “serventia” da crítica literária. João Cabral reclamou que Pessoa e sua metafísica causou uma avalanche de poetrastos Brasil afora. Que é que Cabral queria, caráleo? Reconheçamos nele um dos bravos que intentaram contra a enxurrada.
Faz uns quinze anos que estou tentando reler Proust. Mas como reler Prous e depois escrever? É ler e se ver formiguinha com pretensão de elefante. Doi você não sabe onde. (A natureza das nossas dores mais verdadeiras.) Se meramente ler já é ter de abdicar da leitura pra todo o sempre.
Mas vou avante fingindo que Marcel daria umas risadinhas se passasse aqueles olhões andróginos pelos garranchos deste meu humílimo blog.

(Me avisem se encotrarem typos além do suportável.)