A eles, simpáticos predadores

Viro na Haddock Lobo. Galguei estas ribanceiras e despenquei por estas ladeiras infinitas vezes empurrando um carrinho de bebê primeiro há 35 anos, depois há 31.
Não mudou muito. Do lado esquerdo, esquina com a Santos, erigiram (esse merece) o maldito Renaissance com seu maldito e cafonérrimo nome nobiliárquico de merde e seu maldito splendeur fascina-otário, sua maldita, monumental entrada tomada dos malditos valets que ganham um salário mínimo mas parecem ter o rei naquele lugar e são capazes de te pisar em cima se você bobear. Sob o hotel ficou soterrado o estacionamento onde há três décadas e meia deixava meu TL marrom metálico e guardava nossas duas bicicletas, a minha, equipada cuma cadeirinha em que nas manhãs de domingo como esta descia esta mesma Haddock ou a Augusta ou a Consolação e passava metade do dia flanando pelas alamedas do Jardim Europa relativamente protegidas dos malditos carros, na volta trazia a bike na mão porque a pirambeira era demasiado íngreme. Outras vezes me aventurava no sentido oposto, pegando a mesma Consolação ou a Doutor Arnaldo até a Pacaembu e nos arriscando pelo inferno dominical do Centro. Meu trajeto preferido era a Major Sertório até a Rego Freitas, quebrando na Araújo para desfilar para as putas e os travecos que àquela hora da matina encerravam o expediente. A maioria se encantava com o bebê e mexia “Ai que lindinho! Ai que anjinho!”, ao que o do lado respondia “O pai também não é de jogar fora!”, com exclamação e tudo, na época usava, perdoa Pai, bigodes, óculos ainda não, e o bebê em seu troninho às minhas costas nada perdia com seus olhões-espelhos.
Os seus olhos-espelhos tão fixados no meu olhar
No seu rosto lua-cheia um lobo a passear(...)
Na volta, a mesma parada, bike na mão pra encarar o aclive até alcançar a Paulista no alto desta colina que três séculos atrás foi de fato esplendorosa sem os malditos carrões e os malditos arranha-céus e suas malditas torres de tevê e celular e seus malditos bancos de fachadas trazidas de Saturno.
Vez ou outra saíamos os três nas duas bikes, mais raramente do que gostaria, ela nunca foi muito chegada em mexer o esqueleto. E nessas vezes o passeio nunca se estendia para além de três ou cinco quarteirões ou quadras, como querem os tradutores de filmes. Quando muito rodeávamos o Trianon, fazendo um break pr’uns goles d’água nas garrafinhas sem gás. Ficava morrendo de vontade de parar no butecão na esquina da Santos com a Peixoto Gomide e me sentar numa das mesinhas na calçada e sorver poeticamente uma vodka enquanto apreciava o ir e vir dos domingueiros, a primeira vez que fiz a sugestão ela nem se deu o trabalho de responder, no que hoje lhe dou razão, imagina eu inebriado de aguardente de batata pilotando minha magrela deslizando melífluo na contramão pela Rocha Azevedo fustigado a golpes de deslumbramento disparados pelo olhões-espelho refestelado no banquinho atrás de mim e não duvido de que fosse capaz de alçar voo até o Jockey por sobre o caudal de esgoto do Pinheiros e descer numa das aleias do Parque do Morumbi pr’uma segunda dose. Que pena que o maldito Spielberg tenha estragado para todo o sempre a imagem com seu maldito filmeco para retardados.
A brincadeira durou pouco.
Manhã de domingo, manhã como esta, eu e olhões-espelho chegamos para pegar nossa bike, pluft. A dela também. Sobrou apenas a corrente que as prendia a uma barra de ferro no teto dum dos porões do estacionamento onde hoje incha qual cancro do demônio esse maldito Renaissance que parece crescer mais e mais cada vez que ergo os olhos para tentar discernir a cobertura entre as nuvens. Tinha escolhido a corrente mais grossa disponível na loja de ferragens, impossível que a serrassem. Apanho o elo aberto do chão. Alguém dedicou uma noite inteira ao serviço. O que mais lamentei foi a cadeirinha. Era azul cor do maldito céu. Podiam ter deixado a cadeirinha. Ninguém as usava naquela época. Levaram só para jogá-la num lixão no cu do judas.
Zezeí e Quico fazem um pitstop no meio do quarteirão entre a Haddock e a Bela Cintra, mais ou menos no ponto onde mamãe largou o velocípede para prestar atenção no neto e era uma vez. Tinha guidão e rodas-balão azuis, corpo laranja. Igualmente descuidado, lhe dei uma das minhas malditas broncas. Deste lado esquerdo havia apenas um edifício, os demais imóveis eram todos casarões, o restaurante macrobiótico, a camisaria do Gerson, a escola de inglês, não sobrou nada. Na esquina do outro lado, em frente ao Renaissance, uma das mais belas antiguidades de Sampeia, atravessou décadas desocupada, provavelmente sob litígio dos herdeiros, até virar paçoca. Dá-lhe arranha-céu, dá-lhe carro, dá-lhe congestionamento e poluição, dá-lhe.
Do lado da Bela Cintra, o velho München, igualmente desaparecido, onde atravessamos incontáveis noites bebericando um dos chops mais deliciosos da cidade. Uma vez saímos sem pagar, só pelo kick of it. Estava tão abarrotado aquela noite, que duvido que tenham se dado conta. Voltamos no dia seguinte munidos da nossa melhor cara de pau, prevenidos para o confronto, que não aconteceu. Tinha dia descia sozinho para um chops na hora do almoço enquanto ela trabalhava. Mamãe morava no prédio ao lado do München e me escondia atrás da pilastra quando ela passava, morreria de vergonha se me visse bebendo vagabundamente como sempre bebi e gostei, pois é o modo mais sensato e prazenteiro de beber.
Pelo menos uma vez por semana comíamos no restaurante macrô, tocado por um velhote careca e alquebrado assistido por um pequeno clã de velhotas, todos meio fanáticos pelas benesses da dieta à base de raízes e cereais e meio soberbos em seu benigno fanatismo. Os pratos continham bardana e eu detestava. Me conformava em prol do casamento e do futuro das duas crias. Meu preferido era de longe o mineiro bem na metade do quarteirão entre a Bela Cintra e a Consolação. Arroz carreteiro, yum-yum, bisteca de porco, yum-yum, linguiça frita, yum-yum, mineiro e mineira é que sabem das coisas. Eis porque Minas é aquele atraso. A terra-mãe pródiga em tudo roubou aos carinhas a oportunidade de desenvolver o senso crítico que só vem da, bidu, crise. Nem Drummond é exceção, se é que você me entende. Cronistas do pitoresco como Mendes Campos, nem é preciso dizer. Pedro Nava, nosso arremedo de Proust, menos ainda. Falei do problema alhures.
De quando em vez gostava de passar no Mac da Augusta prum junk food básico, quero morrer engolindo tons de batata frita, aquela que o rapaz em Supersize Me mostrou que podem durar quatro meses fora da geladeira sem embolorar. O Mac se assentava perto da esquina com a Santos onde antes era outro fastfood, o saudoso Jack-in-the-Box, acho que uma dentre as duas ou três existentes na cidade. Certa vez Ignácio de Loyola Brandão estava à mesa ao meu lado com seus dois pirralhinhos. Sabia, pela imprensa, que ele tinha acabado de se separar da mulher. Ri por dentro do literato célebre, que já distribuía sensatices do alto de sua coluna de cronista no Estadão, levando os filhos pra ingerir lixo. Morava nas redondezas, Alameda Jaú ou Itu, acho. Cruzamos na rua em várias oportunidades, me lembro também de que ele tinha essa mania repugnante do brasileiro de olhar intrusivamente quem passa no sentido oposto querendo estabelecer aquele rapport típico dos compadres das paróquias. Brandão é de Araraquara, todo mundo e seu agente literário sabe. Minha família também. Uma vez há uns cinquenta anos passei um dia na casa da família dele, com o irmão dele e um primo meu. Também conto isso alhures. Foi o dia em que comemos um pãozinho seco e tomamos um guaraná daquelas garrafinhas mirins que existiam antigamente, yum-yum.
Dobro à esquerda na Consolação. A casa do Céu Aberto ainda existe. Milagre. Ao que parece virou estacionamento. Olho em volta, as demais esquinas relativamente iguais. A sanha dos devastadores imobiliários ainda não teve tempo de passar por aqui. Você adivinhou, Céu Aberto era uma escolhinha. A primeira instituição educacional metida goela abaixo do meu olhos-espelho. A parede azul claro, claro, ostentava CÉU ABERTO em branco e eu gostava de tampar o É com a mão quando passávamos por lá numa das nossas indefectíveis rondas noturnas para uma vodka em cada bar, enquanto ela me olhava cúmplice e silenciosa, rindo fingindo me repreender. Um dia, deixado sozinho numa sala, ele subiu numa cadeira pra mexer no interruptor, caiu, quebrou a perna. Fiquei putíssimo e a diretora, sem se desculpar, alegou que segurança absoluta não existe, o mesmo argumento que hoje emprego em relação à violência urbana. Na esquina diametralmente oposta havia um restaurante angolano que exalava um perfume de peixe na hora do almoço quando íamos pegá-lo na escolinha que nos deixava delirando de fome. Uma lista à porta anunciava preços obscenos que era pouco crível que alguém ousasse encarar.
Em frente nesta direção, a Rebouças, aonde nunca ia, exceto de carro, ao crepúsculo, não raro já meio encharcado, rumo à Cidade Universitária, quase sempre c’um pitstop no Bate Pinga na Vital Brasil. Às vezes só pra troca de pneus, outras pr’um full overhaul. O Butantã se achava “em pleno” rejuvelhecimento imobiliário e o Bate Pinga vivia atulhado de pedreiros e serventes e pintores, o melhor papo pro fim dum dia agitado. Os estudantes mais frequentes eram os stalinistas da Refazendo e da Caminhando, de quem sempre tive asco, base universitária que logo depois fundaria o PT e quem conhecesse os bandidos de perto não teria dúvida em predizer que viria a ser um partido nefasto que poderia levar o País à tragédia, como de fato bidu.
Voltando pela Consolação rumo à Santos passamos defronte o prédio onde morava Rodriguinho, coleguinha de olhos-espelho de perna quebrada, clavícula descolada e danos colaterais outros. É prédio de acabamento simples a destoar das torres no entorno empetecadas de granito e dourados e penduricalhos mil. Quico e Zezeí aproveitam para um ligeiro escoamento. A arquitetura paulistana, ou a falta de, reflete dolorosamente a cultura, e a falta de, dos habitantes deste formigueiro de caipiras afluentes. Ao contrário do que quer Velaux, a força da grana não ergue coisas belas coisa nenhuma, sequer as destrói, não as há belas mais para demolir. Tudo que sobrou é melancolicamente feio e o que botam no lugar,  desalentadoramente pomposo e fake. Querem é mostrar que estão montados. Eles e seus palácios imponentes a desfilar pelas ruas estreitas de concepção herdada a italianos e portugueses em seus carrões suntuosos a emporcalhar a atmosfera e converter a urbe na mais fenomenal das pocilgas revestida do aço e do alumínio dos onipresentes painéis com que pretendem esconder a feiura do caduco só para fazer a feiura do novo avançar um estágio além, mais e mais e mais. Ignorância e abundância (de dinheiro, de presunção, de ignorância), mistura letal. Aquele que diziam viria salvar a pátria se mostrou o rei dos ignorantes endinheirados. Nos últimos tempos dei de tentar me conformar de novo que talvez não haja saída que não uma guerrinha civil básica. Então não haverá. Os bananões preferem virar fósseis diante da tela da tevê e de gadgets arretados.
Entrementes construíamos uma casinha na xácara que herdei de papai no Embu. Um pequeno xangrilá, falando propriamente. Fantásticos mil e quinhentos metros quadrados rodeados de dezenas de outras chácaras, tudo muito arborizado e bucólico, aqui e ali extensas glebas de mata nativa, gambás, raposas, ouriços, corujas eram vezeiros, até que o pessoal da área os exterminasse para jantar, estágio pré-favelização que vai cercando o luxo dos centros urbanos com cinturões haitianos. E não era bem uma casinha, mas uma edificação confortável e sólida e sóbria e modesta, sem acabamento interior e exterior, blocos à vista, pintada, por mim mesmo, com camadas bem grossas de suvinil misturada meio a meio com massa corrida para vedar os poros naturais dos blocos. Piso de cimento queimado, um cômodo de cada cor. Dois quartos e sala-cozinha americana separada por um largo balcão de tampo de madeira onde tomamos memoráveis porres de cerva, a dois, olhos nos olhos, as crianças em sono alto, um banheiro, varanda, que construí com o matuto Osório, morto de aids três anos depois e que um dia arrombou a vidraça da cozinha e me levou todas as panelas. Foi ali que o segundo, futuro cantor lírico, viveu os dois primeiros anos de sua existência. Foi ali que Osório me passou uma erva batizada sei lá com que, que me fez passar a noite no pronto-socorro e me deixou chapado quatro dias inteiros.
A barra já pesava mas ainda dava pra segurar. Me aproximei de muitos desocupados e de muitos ocupados em surrupiar a propriedade alheia, material farto no pedaço. O Brasil verdadeiro fica logo ali no km 25 da Régis, antro de analfabetismo, miséria profunda, injustiça e desesperança solapando inexoráveis vidas e saúde física e psíquica sem que os sei lá quantos milhões de “servidores públicos” tomem conhecimento. Como disse antes de ontem, as mulheres quase todas nos cultos, os homens quase todos nos botequins. A pinga começava a jorrar generosamente nos balcões logo cedinho. Na hora do almoço metade dos capiaus já se achava a meia dose do desmaio. Conheci dois ou três que foram atropelados tentando atravessar a rodovia. Um deles certa feita me contou que possuía dois barracos na “vila”, nome que davam ao aglomerado de casebres situado morro abaixo, longe das vistas de quem passava na rua principal. O chamavam Alemão por ser loiro e ter olhos azuis, provavelmente herdeiro genético da soldadesca de Maurício de Nassau que deploravelmente não logrou nos livrar da canga lusitana no século 17. Alemão morava no barraco da frente e alugava o dos fundos a uma mulher que nunca pagara a conta de água e de luz. Um ano depois de cobranças vãs, ele resolveu ir à delegacia. Sendo meio choramingão, foi aos choramingos que relatou seu caso ao delegado de plantão. Finda a narrativa, a autoridade avisou que mandaria lhe aplicar uma surra e o botaria a ferros por três dias se ele aparecesse outra vez para reclamar.
Tive vários amigos como Alemão. Um deles foi Zé-Pinguinha.
Zé-Pinguinha bebia emocionalmente, talvez como a maioria dos ébrios, por dor-de-corno. Era pedreiro, um dos incontáveis que trabalharam na obra da minha casa, praticamente toda semana me deixavam na mão. Se punha a fazer pródigas, íntimas confidências após um determinado nível etílico. A mulher o traía. Com seus amigos, seus colegas, seu patrão. Zé-Pinguinha era inofensivo, quase uma flor de pessoa, bem-falante e amistoso, poderia ter se dado bem em outras circunstâncias. Não tinha a mais remota ideia de como resolver a parada com a esposa. Uma noite, durante uma cerva num dos inúmeros butecos do lugar, disse que a esposa tinha matado um galo para a janta e me convidou. Tentei escapar, não teve jeito, lá vamos nós, ele morava numa das últimas casas lá em cima no pico do morro. Entramos, o galo estava pronto no centro da mesa da cozinha, a esposa de Zé-Pinguinha apareceu saída do quarto, me apresentou. Era uma morena extremamente bonita, de traços delicados e muito gostosa. E obviamente sabedora de seus atributos. Dessas mulheres que exudam sensualidade pelos poros, reduzindo o macho a escravo dócil e submisso a serviço da própria animalidade. Ela pediu licença, disse que tinha compromisso, saiu, Zé-Pinguinha tentando dissimular a mágoa. Fiquei morrendo de pena, tentado a sugerir que largasse a mão, não havia escapatória. Outro dos meus amigos era o Zé-Meleca mas este não bebia nem trabalhava nem fazia coisa nenhuma fora filhos, cito just for the record.
As histórias de roubos e assassinatos na área só aumentavam e comecei a temer que meu “trânsito” com a bandidada talvez não livrasse nossa cara por muito mais tempo. Num caso que me impressionou particularmente, os pilantras entraram numa das maiores chácaras das cercanias, de gente bem, botaram tudo que puderam num caminhão e, antes de sair, cagaram dentro dum liquidificador na cozinha, ligaram e puxaram o carro.
Fechar os olhos para os sinais explícitos da miséria cada vez mais próxima ia ficando impossível e resolvemos vender a casa sete anos depois. A cidade turística, na verdade um chiqueiro onde tratam o turista como cidadão de terceira, ainda exercia alguma atração e havia procura, mas não “naquele bairro perto de favela”, segundo alegavam os pretendentes. Depois de quatro ou cinco anúncios improducentes em jornal comecei a pensar que nunca me livraria da chácara. Até que um professor de Sociologia da USP apareceu como que por encanto, dizendo que era exatamente o que procurava. Poor guy.
Revisitamos o lugar duas ou três vezes depois da venda e vimos nossos temores confirmados. Muitas das chácaras, talvez a maioria, outrora bem mantidas e cuidadas por caseiros, agora estão desocupadas, uma ou outra invadida, desmazelo e abandono por toda parte. Um dos nossos antigos vizinhos, cansado de ter virtualmente todos os móveis e utensílios roubados a cada mês, deixou a casa aos cuidados dum PM, que começou a promover “festas do pó” nos fins de semana tão logo recebeu as chaves. No fim o proprietário abandonou o imóvel.
A essa altura nos mudáramos para São Caetano, nossa cidade natal. Uma das mais desastrosas decisões da minha vida. Lugarejo próspero com todos os defeitos e nenhuma das vantagens de Sampeia. Cidade-dormitório campeã do desenvolvimento humano, paradoxo de que ninguém parece se dar conta. Provinciazinha de ignorantaços endinheirados metidos a besta, gente intelectual e culturalmente esclarecida e ambiciosa que tem como grande ideal viajar uma vez a cada seis meses ao inferno da disneilândia e outra vez nos outros seis meses ao inferno dos cassinos de Punta del Este. Aos mais pobrezinhos restam os bingos. Pascal dizia que “Sem poder remediar a morte, a miséria e a ignorância, os homens imaginaram que, para ser felizes, não devem pensar em absoluto nelas”. Bernhard emendou que a Áustria, sua terra natal, era um “inferno comum em que o intelecto é incessantemente conspurcado e a arte e a ciência, destruídas”. Não é a primeira vez que faço essa citação, que me ocorre sempre que falo de São Caetano. Tenho pelos abastados dessa aldeia abarrotada de metalúrgicas o mesmo desdém que Bernhard devotava aos seus conterrâneos austríacos e sua enraizada vocação para o fascismo.
Por hoje é só, folks. Não reparem na bagunça. Devo “confessar” que hoje quase cheguei lá, não fosse esta maldita dorzinha nos quadris que não tá me cheirando nada bem (a dor, não os ditos). Escrevo como escrevo em honra a uns benditos americanos que me ensinaram que o leitor não merece refresco. Prefiro deixar quem não sabe ler pensar que não sei escrever. Neste mundo de gente reduzida à condição de malditos consumidores metidos a malditos sabichões ungidos da divina regalia da justiça, quero é que se foda.