Brinde ao poeta da incerteza

Durmo
Amarei para sempre aquela que me acordar
Dormirei para sempre, sem corpo nem mente
Na memória o toque do despertar
Sinto
Adormecido na revelação
Do instante eterno
Que o mundo me foi revelado
Morto, vivo até a próxima ressurreição
A rememorar a ciranda dos seus dedos
Em meu antebraço, sua voz a me fazer
Cócegas nos ouvidos
Surdo, escuto por toda parte os que
Celebram da vigília a dádiva
Mudo, com eles canto minha
Triste alegria
O que é viver morto
Senão sonhar?