Tonietti XV

Ai, não sei como a senhorita tem saco. Esse face me chupa toda a energia que não tenho nem nunca tive. Passei a tarde mergulhado num lago de sonhos. Ai, como é macio o onírico colchão que cada um de nós guarda no porão ideal que construímos sob a fachada.
Coño. Se alguém despejasse na minha caixa de entrada a bobajada que deixei ontem na sua, cortava sumariamente. Não sei como me aguenta, arre. (Hoje tô com o Bentinho do Dom Casmurro na cabeça. Costuma ler Machado? Digo, regularmente? Pelo menos uma vez por mês, eu. Pra não perder o senso do que é mestria literária. Memorial de Aires é o livro mais bem escrito da língua portuguesa.)
Não sei o que faria exatamente se tivesse alguém como eu me escrevendo assim todo dia. É muito provável que sentisse alguma excitação no começo, ante o ineditismo. E o ar de mistério, isto é, a postura necessariamente dissumulada, de quem não quer abrir o jogo. Tudo isso tem algum encanto... pros adolescentes. Me entediaria na manhã seguinte (só pra fazer uma alusão).