Tonietti XVIII

Acabo de ler num jornal online que o nosso amigo Schwarzenegger vai fazer o Exterminador do Futuro 5 ano que vem. Ai que a minha úlcera explode. Que tédio, meu santo deus amado.
Já parou a senhorita pra pensar que às vezes a culinária pode ser fruto (foi sem querer, juro) não do estudo árduo numa, digamos, escola técnica do SENAC ou de estágios em renomados restaurantes europeus mas simplesmente de condições circunstanciais? Soa complicado? Explico. Esse conceito genial me ocorreu outro dia quando estava morto de fome em casa, abri a geladeira e tudo que meus decepcionados olhos arregalados puderam detectar foram os costumeiros restos de verdura duma feira que fiz provavelmente ano passado, um frasco de maionese em cujo interior parece estar havendo uma orgia transcontinental de vermes (bactérias?) de botulismo, afora dois ou três sacos de mercado que não tive coragem de decifrar. Perscrutei angustiado as demais prateleiras do refrigerador, pronto para renunciar à perspectiva de encher a barriga até o dia seguinte, quando meu olhos, ainda decepcionados e arregalados mas sempre esperançosos, deram cum macinho plástico escondidinho lá no fundo, enviando eletronicamente à porção ainda saudável do meu córtex cerebral um sinal de que provavelmente nem tudo estava perdido e voilá! Quando meus dedões sôfregos finalmente abriram o saquinho, eis que tinha diante do meu narigão farejador de mastim irlandês nada mais, nada menos que um belo naco de... RICOTA. É verdade que em situação normal torceria o dito narigão ante tão insalubre guloseima, mas instantaneamente os neurônios responsáveis pelo meu instinto de preservação acusaram os sinais de alerta oriundos do fígado, do pâncreas ou sei lá que raio de víscera desempenha essa função degradante e me pus a assistir enquanto minha mão esquerda agarrava incontinênti o restinho de ricota e a direita encaçapava entre dedões o único ovo depositado no porta-ovos, muito provavelmente esquecido no meu mais recente rapa famélico e vupt! em poucos segundos nascia na frigideira o mais voluptuosamente delicioso omelete (tem gente que trata no feminino, será?) de todo o Ocidente? Moral da história, se fosse chef provavelmente faturaria uma nota preta nas quebradas do circuito dos rubaiyats e giallas da vida. Quem diria que inventar tão divina iguaria exigiria tão pouco dos meus parcos recursos caseiros?