Almôndegas com pouco sal 9

A longa fila dobra a esquina. Depois a outra e a outra. Quase dá volta no quarteirão.
Homens, mulheres, moças e garotões trocam de pé de apoio, abrem e fecham os punhos, bocejam, resmungam, torcem o nariz, fazem as mais variadas caretas.
À medida que, lentamente, se aproximam da porta do modesto sobrado malcuidado e de paredes descascadas, vão lendo demoradamente a placa pendurada sobre a soleira:
“FECHAMOS OLHOS. TAMPAMOS OUVIDOS. CALAMOS BOCAS. ABAFAMOS VIDAS.”