Ao pó, ao pai

Eis o filho da guerra que travaste contra ti mesmo
Negro fumo erguido das tuas batalhas asfixiantes,
Cegueira do meu olhar
Corda com que amarraste teus próprios cacos,
Algema dos meus pulsos

Hoje, quando te rompes
Aqui recolho tuas partes
Espalhadas pelas estradas intactas
Que constituíram cada uma das noites
Condensadas em cada segundo do dia

Dos milhões que foste durante os milhões de séculos que vivo
Legaste um que nunca consegui conhecer

Lembra quando me soltaste dos teus braços para pegar o morteiro
que mais uma vez precisavas mirar contra teu coração?
Tens travado na garganta
O grito que não deste
Tenho ecoando nos ouvidos
O grito que não escutei

As paredes estão cobertas de sangue?

Desempenhando o papel insuficiente de filho de Deus
No palco dos nossos dias
Não te ensinei a ensinar-me a viver
Pois ensina-me agora a morrer