DM IV

DM, vou dormir, cansei de te esperar, queria te dizer que meu coração sangra por essas bobagens que esta bosta de vida nos apronta, mas não vou te dizer mais nada, pois te melindras com qualquer coisa que te diga, se tivesse o helicóptero do dilmão ia até aí, batia na tua porta, te puxava prum escurinho mais próximo, te abaixava as calças, te lambia tua buceta túrgida de tesão incontido e então gozavas na minha boca e então te enfiava minha língua de dragão na tua boca e te lambia os dentes e as amígdalas e te sorvia e te encharcava e te adormecia.



Que delícia. Que pudor! Que delícia.


Gostou, né?
Já brochei com mulher tarada.
Me senti estuprado.
Maior tesão, de repente o fenômeno do amolecimento.
Um dia uma zinha insistiu tanto pra eu falar com ela na porra do msn, aquiesci, hehe, tamos lá trocando aquele belo monte de merda, aí falei “eu dormiria com você”. O msn caiu prontamente, a zinha saiu dos meus amigos, me bloqueou. Depois me mandou uma mensagem “Não sou o que você está pensando”. Mas não tô pensando porra nenhuma, zinha. Minha rola é que está.
DM, vais usar mais esta minha inocente confidência contra mim qualquer hora, não vais? Afinal já usaste até o poetinha de quem te contei.
Estás a coligir minhas confidências no Grande Livro Vermelho de WV pra esfregar na minha fuça quando chegar a hora?
Não ligo.
DM, essa nova foto do teu perfil é para meu benefício? Gostei. Mas talvez algo mais explícito viesse a calhar, no dizer da Primeira Dama da literatura nacional LF Verissimo?
Só agora vi em seu perfil “Amado Rio Grande do Sul” e me escrachei de gargalhar. DM era a última pessoa do mundo de quem eu esperava esse tipo de ufanismo patriótico.
DM, releve as espicaçadas. Só sei me relacionar assim, hostilizando. Mas já percebeste, claro.
Quando acordares e vires e leres, conta até 1000.
Não mira todas tuas lanças envenenadas contra este pobre pretendende a poeta que não acerta uma na poesia, na vida, no amor e na loteria.
Me poupa, minha querida. É quase tudo brincadeira.

Não leva a mal mas te amo.



...999, 1000. Pronto.
Tu não me assusta, Wilson. Nem mesmo em tempos onde as fêmeas perdem as suas vidas na mão de trogloditas tarados, dementes e sádicos. hehe.
Os machos também perdem suas dignidades e até mesmo a vidinha, nas mãos de gatinhas estelionatárias, viúvas negras e gostosas plastificadas. Mas não é o meu caso. Não se preocupe comigo também, querido.
A foto do perfil era pra me lembrar de uma vontade que hora dessas concretizo. Mas se me queres deitada, tudo certo. De pé também, de ponta cabeça, nozada, rasgada ao meio, só uma parte, a parte toda... como quiseres.
Corro pros pequenos, agora, minha única fonte de sanidade. Volto a noite pra te desejá-la. Desejo-te a noite.


“machos também perdem suas dignidades e até mesmo a vidinha, nas mãos de gatinhas estelionatárias, viúvas negras e gostosas plastificadas”
Não se preocupe comigo também, DM. Não tenho dignidade. Portanto não posso perdê-la. Nunca tive. Nunca me preocupei em tê-la. Não dou lhufas pra dignidade. Nem sei o que é dignidade. Não sei pra que serve. Não imagino quem são os dignos, o que fazem, onde moram, onde dormem. Fôdanse os dignos e suas dignas dignidades.
Quer dizer que foto é pra te lembrar de te matar? Então a puseste pra mim alright. Te matar e te envolveres comigo é a mesma coisa.
Corre pros pequenos? Não me diz que é teu ofício tem algo a ver com crianças. Pauvres enfants. Promete que não fará com eles o que fazes comigo. Sofro numa boa, mas não tolero testemunhar o padecimento alheio.
Vou tentar começar a beber mais tarde hoje pra ver se aguento em pé além das onze. Falando em se matar, tô chegando lá. Fiquei anos tentando criar coragem, escolhendo entre um método e outro, escrevendo sobre, criando teses científicas, racionalizando, até que concluí que nunca teria coragem de implementar um método tradicional, o que único jeito seria uma “passagem” lenta e sufocante e masoquista, bem ao meu estilo, e voilà! Cá estou eu me matando dia a dia de tanto mamar. No ritmo em que vou, devo chegar até meado do próximo ano, se o diabo quiser. Dá pro gasto. Já vivi tudo que tinha a viver e já saquei que não tenho capacidade de viver aquilo que queria viver.


Oi, lindo.
Matar-me, não. Saltar de uma ponte. Somente. Morrer seria um risco, mas não um propósito. No entanto, quem já não quis dar cabo da própria vida? Mas, por enquanto, eu só queria um cabo um pouquinho mais firme, que me atasse com certo vigor aos propósitos de existir e que eu não estou sabendo entender quais são. Inda tenho esperança.
Oh, querido, se tu me conhecesse, diria que dou uma boa professorinha. Tenho apreço pelas crianças, vou me divertindo com elas porque decidi jamais ter um exemplar para mim. Sou um modelo de educadora: meiga, libertária, companheira e compreensiva (tudo verdade, nada ironia). Mas entendo e reconheço minha loucura. Quem sabe um dia, todas penduradinhas no teto da salinha... Não, não, sou inofensiva. Só tenho dentro de mim a tortura de pensar e pensar. Se pudesses me ver num dia qualquer, veria o quanto saio fora do ar, ou entro dentro do ar, sei lá. Quando dou por mim, o mundo aconteceu e eu ainda estou ali, parada naquela dimensão estranha.
Que vergonha, Wilson! A cara roxa de ler os teus lambuzos... Não tenho traquejo pra escrever sobre desejos mas não é muito difícil fazer isso quando eu vou sentindo um latejamento gostoso e fico com a cabeça num lugar totalmente alheio ao meu lugar-comum, me afundo em ideias lascivas a teu respeito e vou engolindo o teu todo com a velocidade de um orgasmo.
Mas, cadê tu?


Aqui, minha linda.


Ha. Desbravando as Savanas de extensas pradarias tropicais.


Savanas não se desbravam, minha loba.
Savanas são áreas de vegetação baixa, abertas, sem mistérios nem poesia.
Savanas abrigam sendas pelas quais trilho quando preciso recuperar forças para retornar à minha missão mítica de explorar os Pampas, estes, sim, merecedores da minha heróica sina.


Uau! Que lindo! Droga, me derreti que nem manteiga... Nossa, que sensação mais gostosa que me deu agora. Inexplicável, Wilson.
Senti-me a puta rejeitada, lá no canto do buteco, a puta com o rímel escorrido, a cara já lavada da noitada chorosa, entre os copos de conhaque barato e as lágrimas pelo homem que a deixou.
Mas ele chega, de mansinho, vem vindo lá no fundo com seu trotar elegante, o cheiro nobre das boas moças das festas requintadas, bordado nos seus trajes bem passados.
Ele a beija com lubricidade e estende-lhe a mão. Ela o agarra e chora mais um pouco, como que querendo-o convencer de alguma coisa em que nem ela mesma consegue acreditar.


Vou fumar um cigarro.
Ótima!
“Relacionamento” online é um martírio.
DM foi ver a novela, me deixou aqui sozinho com a savana caravana sarabatana filha da minha tia ana.


Não, não. Estava brincando com o sobrinho de pista da hotweels. Incrível como sou versátil, mas não consigo gostar de brincar disso. Falta o pai pra esse menino, o pai que fez um filho na tapada da minha irmã e escafedeu-se.
Relacionamento? Martírio? Explique-me.


Explico nada.
Natureza fdp, avançando feito um trator por sobre as veleidades dos pequenos seres sem vontade, desejo ou esperança.
O que nasce de bastardo, puta merda, somos (quer dizer, ELES são) um brinquedinho nas mãos dessa força maior desgraçada.
DM, leu alguma das historinhas que postei no meu site?
São todas pra criancinhas inocentes que correm lampeiras no jardim deste paraíso.
Quem sabe adotas pra tuas turminhas de monstrinhos?


Estou lendo agorinha mesmo. A herança.
Quietinho. Senão não me concentro.
Bye.
Há, Wilson. Que aperto que me deu. Como somos frágeis.
Gostei mesmo. Até lembrei de um dia, meu pai e eu, na ambulância, meu pai indo pras quimios dele na cidade grande. Ele não estava se sentindo bem, por isso pegou uma carona naquele hospitalzinho ambulante. Minha mãe, que tem pavor de hospital, delegou a tarefa pra mim, de acompanhá-lo. Não fosse o sufoco que passei, teria sido de boa lembrança, já que infelizmente aquela foi a última vez que “passeamos” juntos de carro.
Passei tão mal no trajeto sinuoso até a cidade grande que quem saiu de maca de dentro da ambulância fui eu. Juro. Minhas unhas estavam roxas. É como se eu tivesse ficado por uma hora com todas as doenças e catástrofes do corpo juntas e que já passaram por aquele lugarzinho.
Sim. Tchau.
Dorme, querido. Descansa essa mente fulgurante, que precisa ser compartilhada. É lei: vieste para este mundo exatamente para fazer o que fazes. Para e para fazer e fazer.
Dorme o sono dos cansados porque criar, ensinar e alimentar os teus filhotes não é tarefa fácil. Ainda bem que jamais os domesticará. É por isso que te amo.
Quando me quiser, espero poder estar aqui. Quero poder continuar aqui, conquanto que eu não me canse muito de estar inserida até a goela neste mundo digital do qual fugi até bem pouco tempo atrás.
Sabe, não gosto de estar aqui por muito tempo. Me faz mal. Tenho náuseas. Uma sensação de que o mundo inteiro está empoleirado nos meus ombros, fazendo pressão pra baixo e eu me curvando cada vez mais.
Tenha uma sexta agradável e bastante inspiradora. Fico imaginando que prum escritor de verdade essa história de inspiração é bem balela. Sei lá, fico pensando nos tormentos de uma cabeça cheia de ideias. Nas dores do pensamento rápido que quer pular logo pra folha, pra tela. Imagino um terremoto de coisas acontecendo na cabeça de um escritor. Ajeita aqui, coloca lá, completa aqui comprime acolá, meu tempo é curto pras coisa que preciso escrever só mais uma coisinha é hora de terminar parece estar incompleto, há, que legal, nossa peguei pesado, droga, que porcaria, puxa que lindo.
Descansa essa mente fulgurante, querido.
Nooooossa, Wilson. Eu estava dando uma olhada na tua comunidade. Meu, mas tu deve dar umas boas risadas da minha cara.
Os perigos de um relacionamento digital... hahahahaha. Agora fiquei com cara de tacho de marmelada de figo. Imagina o que tu deve estar pensando, essa louca que tá dando em cima de mim, vai ver tá se achando minha namoradinha virtual, se dou corda ela se enforca.
Puta que pariu, que vergonha. Desculpe-me, Wilson, se passei essa impressão. Tô confundindo a porra de tudo, mesmo.
Bah, foi mal. Licença que vou cavar um buraquinho lá no jardim pra enfiar a beça e ver se congelo esse fogo no rabo de ficar me oferecendo pra literato que saca os joguinhos que as pessoas insistem em fazer, e ainda têm a ousadia de dar outros nomes pra eles, nomes mais românticos, lindos, felizes e amáveis.
Putz! Tu é um dos caras mais inteligentes que eu já conheci na vida!


Ah DM, obrigado, mas essa rasgação de seda pra cima de mim me deixa constrangido. Nem sou tão inteligente assim. Mais doente que poeta. E sei que a qualquer minuto, de repente, teu saravá vai baixar e despejarás sobre este pobre mortal aquele caudal de elogios às avessas em que és mestra.
Linda experiência essa com teu pai. Não vou explicar o “linda”, tô dando de barato que saibas compreender. Tô de saco repleto e completo de explicar coisas, sobretudo a mim mesmo. É nesse tipo de experiência que tu vê que o mundo e a vida e a pqp não comportam teorias nem hipóteses e o abismo se abre à tua frente num segundo e te engole junto com teus planos e projetos e num segundo esqueces que teu mundinho era tão gracioso naquele desenho da casinha com o sol em cima e uma chaminé borbotando fumaça que tinhas estampado no primeiro plano da tua mente.
Estás divina nessa foto aí. Olhar de tolerância limítrofe ante este mundo que demora tanto a girar, pote de impaciência que explodiu no tempo passado silenciosamente, perplexidade engolida em cacos de que se faz a estátua a apoiar tão pesadamente a cabeça que só não tomba sob as forças invencíveis da gravidade que nos une cada um de nós a todos nós porque a necessidade de mantermos uma atitude digna perante a humilhação de viver é ainda mais forte.
Em nenhuma das tuas fotos é possível enxergar tua cara direito. Podias me enviar umas mais límpidas e próximas.


Mas pra quê, Wilson? Pra que fiques me analisando e vendo se vale mesmo a pena continuar esta conversa maravilhosa? Também és ligado na estética da cara das pessoas?
Já vou adiantando: tenho espinhas, meus dentes são tortos e amarelados, meus ângulos são desconexos, desarmoniosos, tenho tudo torto: queixo, boca, olhos (um maior do que o outro), meus cabelos já estão ficando brancos e secos (30 anos) e não possuo mais lubrificação vaginal (menopausa precoce).
Amei o que escreveu a pouco. Amei. Não sei se é impressão, mas és tão fresco, pela manhã! Suave e levemente adocicado.
Que coisa mais interessante isso...


DM, tô de saco completo e repleto da tua mania de autovitimização. Pelo pouco que pude enxergar nessas tuas fotos desfocadas e camufladas de quem parece estar fugindo de algo ou alguém, és bonita, charmosa, envolvente, sensual, meio trôpega e desejável.
Mas se não quiser se mostrar, tudo bem.
E, mein Gott, essa da lubrificação vaginal, vai te lascar, tens um talento magistral para ser brochante. Tava cum puta tesão, foice.
Quanto esforço pra se fuder e fuder tudo junto.