DM VI

Me diz um pouco detalhadamente o que tá achando do meu livro?

Olha, Wilson, de longe está sendo uma das coisas mais insólitas que já li. Humano, de tão denso chega a ser leve, se é que me entende.
Gosto dos insights que tens, são deliciosos e enriquecem o texto de tal forma que parecem desmoronar a ideia inicial, me deixam num vácuo confortável, vários mundos dentro de um mundo, um sonho doido, só que de uma lucidez que tem um tamanho que não se pode medir.
Nem acredito que bebes tanto.
Tomara que eu não esteja servindo de inspiração pra Soninha. Ela é bem simpática e muito desgraçada. Pobrezinha.
Há, fala sério, Wilson, tás me tirando, né? De que vale a minha opinião? Cai mais uma vez na armadilha do vamos dar corda pra ela se enforcar e pra eu ter certeza de que estou na maior perda de tempo da minha vida em ficar compartilhando toda a cátedra das minhas litteraturas com a minha mucama.
Bem, entre outras coisas, é pra isso que servem também, as mucamas.
Espero que perdoe o sarcasmo. Assim como eu perdoo o seu descaso.

Boa noite, Wilson, tenha bons sonhos reveladores em inglês, enquanto eu fico aqui utilizando ingorantemente o google tradutor para decifrá-los.

Obrigado por responder. Embora eu esperasse uma “análise” mais desapaixonada. Tenho de fato muitas dúvidas sobre o texto mas ninguém quer se dar o trabalho de comentar.
Não, Soninha já estava pronta na minha cabeça há tempos. Falo dela no meu blog desde o ano passado. Mas o que mais tem neste mundo são soninhas perdidas em todos os sentidos. Na verdade criei a Soninha pra desafogo sexual do narrador (você sabe, homem tem dessas coisas), mas ela começou a crescer na minha cabeça. Tive várias soninhas nesta minha vida de cachorro sem dono, não tão humanas nem trágicas, a maioria simplesmente estúpida e unidimensional, consumidoras de etiquetas na bunda mas sabidas feito o diabo na manipulação e crueldade sexual que a mulher usa contra o homem.
Não, flor mais meridional do meu caótico jardim, não é descaso. Como descaso, se te escrevo dia após dia após dia? És a única pessoa com quem faço isso.
Afora algumas barbaridades que cometo em nome do álcool (ainda bem que bebo; tenho uma boa desculpa), acho que venho te levando com lábia eficiente o bastante pra te convencer de que te trato com respeito e dignidade.
Piadas à parte, obrigado pela foto. Essa beleza e esse sorriso franco não conjuminam com a zanga que mostras a nós aqui fora.
Quando falo de nojo de funduras alheias me refiro mais... Sei lá. Não vou ficar explicando. Explicação me dá bode. Já tenho de explicar coisas além da minha paciência quando escrevo.