Manifesto à comunidade Literatura

Deu pra mim. Não aceito censura. Nunca, em nenhuma circunstância. A primeira condição no meu ofício de escritor é a liberdade. Liberdade ampla, geral e irrestrita. Liberdade de expressão. Liberdade de pensamento. Liberdade ideológica. Liberdade, liberdade, liberdade, mil vezes liberdade.
Há 3 ou 4 dias venho acompanhando esse sumiço de algumas postagens dum membro chamado Jorge.
Jorge reclamava do desaparecimento e pedia que os moderadores se manifestassem. Os inspetores ditatoriais, contudo, não só bateram pé em ficar calados, como também, como “recompensa”, expulsaram o Jorge. Então dou a todos este definitivo tchauzinho, desejando que continuem a desfrutar desse morno chiqueiro de felicidade em que curtem tanto chafurdar.
Mas pera lá, antes vou dar uma explicação, se é que alguém está interessado.
Vejamos. Segundo soube, parece que o Jorge foi banido por ter dito um ou dois palavrões. Indesculpável, claro. Mas também consta que, ao proferir tais impropérios, o Jorge estava respondendo a alguém que lhe dizia que iria “lhe ensinar a usar o que tinha entre as pernas”, entre vários e seguidos insultos à sua sexualidade, o que é bem próprio dos boçais. Mandar tomar no rabo é um acinte aos pruridos da petizada puritana. Mas atacar a sexualidade alheia, tudo bem. Enxovalhe-se o outro, desde que não emita palavrões. É tão lógico, não é? A velha, a arraigada, a esdrúxula, a fenomenal hipocrisia brasileira.
O Jorge muitas vezes me atazanou a paciência no fórum da comunidade Literatura. Em algumas, respondi sem ofensas. Em outras, ignorei. Jamais me passou pela cabeça a ideia nojenta, asquerosa, escrota, inadmissível de pedir seu degredo.
Mas naturalmente a ameaça das masmorras medievais ainda habita primitivamente nossas fantasias.
A comunidade Literatura ostenta uma rica fauna de postadores ociosos. Um ou dois sabem uns quantos preceitos literários aprendidos em banco escolar e por isso parecem sempre estar escrevendo numa lousa. Uma minoria é orelhista, leu os óbvios e já ouviu alguém falar remotamente dos maiores. E a avassaladora maioria se compõe de analfabetos literários absolutos e orgulhosos da própria ignorância.
Quando um sujeito como eu, de conhecimento um dedo acima da média rasteira, posta algo mais, digamos, consistente, que é que acontece? Nada. Fiquei lá postando um ou outro poeminha da lavra própria, levantando bolas que pudessem levar a papos minimamente literários, mas fui olimpicamente ignorado. A malta quer mesmo é tricotar.
E a tal da avassalada maioria se constitui puramente de fakes ou quasi fakes. Com a bela desculpa da segurança (!), quase todos omitem tudo, inclusive nomes e caras, e você fica lá que nem tonto falando com abantesmas.
Um dos mais notórios e ativos de tais fakes é um verme que ora atende pela designação de “Ludwig”. Numa comu que abriga há tantos anos um espectro desses, tudo pode acontecer.
O fake Ludwig é o torquemada mor da comunidade Literatura. Perambula perdido há anos por lá, sempre caçando giordanos brunos que ousem pisar em seu calo.
A última gota para o meu eternamente cheio saco foi o banimento de Jorge. Pelo que consta, por indisciplina. E por não aceitar a censura praticada pelo Joseph tupiniquim.
Também pelo que consta, o processo de proscrição do Jorge foi deflagrado pelo ridículo fake Ludwig. Como de costume.
Mas não se poderia esperar outra coisa dum imbecil neurótico, rei dos medíocres, que rouba o nome dum dos maiores gênios de todos os tempos para tentar enganar o próprio complexo de inferioridade e fazer de conta que assim cancela a própria mediocridade. Fake, por definição, é alguém incapaz de se olhar no espelho. Um fake autodenominado Ludwig é mitômano ao cubo. Pelo que tenho visto na orkut, muitas vezes se trata de alguém precisando de ajuda psiquiátrica.
O covarde por trás do fake Ludwig comanda algumas dezenas de subfakes. Um dos principais é o dr. Robert. Que mais ou menos há um ano já perseguia obsessivo membros literatos que se atrevessem a confrontar suas taras de Rudolf Hess. (Aliás, o segundo nome do fake nazista Ludwig é Hess. Que belezinha.) O fake nojento dr. Robert, bem como o fake repelente Ludwig, participam de várias dezenas de comunidades “germanófilas”, quase todas com temática ligada à 2a. Guerra Mundial. Que coincidência, não?
A moralmente diminuta dupla Dr. Robert e Ludwig age com a sanha dum comandante de campo de extermínio. Já vi casos de gente expulsa da comunidade por iniciativa desses ou de outros fakes porteiros de forno crematório. Já houve mesmo casos de orkuteros que tiveram suas contas excluídas da orkut por uma ação coletiva de denúncias apócrifas levada a cabo por bandos desses vagabundos.
Uma vez dr. Robert entrou no meu perfil e deixou um recado me chamando de “intelectual de botequim”, depois que tivemos uma discussão no fórum da comunidade Literatura. Em vez de me confrontar no próprio fórum, optou por me atacar pelas costas. O pulha Ludwig sempre age assim qual barata, rastejando nas sombras, jogando um pérfido dominó com suas figuras impostoras, confabulando com outros membros de sua laia. Só golpeia por trás. Como todo inseto rastejante, treme de medo da luz. Outro dia postei um dos meus poemas e vi que o sebento respondeu, mas... em outro tópico. Sem saber, eu tinha ofendido o melindrado discernimento estético da barata.
O desprezível Ludwig é useiro e vezeiro em espernear histérico quando enxerga o perigo de ter sua farsa desmascarada. Cospe frases como “pessoas irritantes acendem nosso instinto de matar”. (Postado no tópico “Livros” em 17/11/2010.) Mas, veja, sem nunca nomear a suposta vítima de sua sanha assassina. Instinto de matar, nossa mãe. Lembra um rapaz chamado Adolf, não lembra? (Calma, Ludwig, documentei tudo, inclusive as comus suas e de outros fakes seus; não precisa ir correndo apagar.)
Mas que faz na comunidade Literatura tão aparvalhado ser, afinal?
Bem, o mancebo, ignorantaço de pai e mãe, se acha helenista. Fala de Horácio assobiando e mascando chiclé. O único problema é que tudo que baba são asneiras.
Mas nem tudo na vida orkutiense do atarantado helenista são percalços. O pateta tem um trunfo. É amigo do sr. Jocelino Freitas, moderador da comunidade enquanto banca guardião da moralidade cristã.
O sr. Jocelino Freitas revela-se ótimo inspetor de recreio escolar. Com careta severa vai vigiando enquanto suas crianças se perdem incansáveis em folguedos mortalmente entediantes. Brinquem à vontade, pequenos alunos: o sr. Jocelino Freitas e sua figura paternal paira acima de todos, sempre vigilante contra ataques ao politicamente correto.
O energúmeno fake Ludwig, quando sua insaciável sede de vingança lhe queima a garganta profunda, corre a chorar a ajuda do Grande Pai Jocelino. Que, como parece evidente, não nega fogo.
Isto posto, e considerando que o ignóbil Ludwig vive botando banca de valentão, resolvi chamar o escroto pra briga.
Prezado espectro Ludwig:
Por que é que você, que não passa dum covardinho abjeto escondido atrás desse personagem idiota, não me processa? Há anos te vejo confabulando, emboscando e atraiçoando membros da comunidade Literatura e choramingando pela barra da saia do inspetor Jocelino quando se vê em apuros, vamos lá! sou todinho seu. Meu nome é Wilson Vaccari, tenho 55 anos, moro em São Caetano do Sul/SP, o google pode lhe dar centenas de links a meu respeito, se procurar bem é capaz até de achar meu endereço. Só não venha atirar pedra na minha casa, pois estou certo de que você seria bem capaz. Isso me deixaria muito irritado e então o réu seria você.
Vou ficar esperando seus advogados, okay?
Mas, caramba, lembrei duma coisa: como é que você vai me processar? Por acaso vai apresentar uma ação legal fake através de advogados constituídos fakes? A um tribunal fake? E que é que você pediria ao juiz fake? Eu a-d-o-r-a-r-i-a ver. Talvez a petição judicial iniciasse mais ou menos assim: Ao Exmo. Juiz Fake Dr. Fulano, Honorável Causídico Fake, o demandante fake Ludwig e outras dezenas de fakes de nomes teutossaxões, todos orquestrados pelo mesmo fake Ludwig, vem humildemente perante este Tribunal Fake requerer uma Sentença Fake contra o demandado Wilson Vaccari, que é de carne, osso e barbão de Noé. Como é do conhecimento de todos os fakes e seus tios fakes, o demandado vem solertemente acusando o demandante Ludwig fake de ser exatamente isso, fake. E assim, por essas e outras fakices, prossegue a petição fake. Come on, Ludwig, me processe. Vai ser um barato, sua barata.
Agora, Ludwig, não me responda como fake, okay? Se quiser me peitar, mostra a cara. Não aceitarei uma palavra do seu fake idiota, mas apenas do cagão que está por trás dele. Mais: te desafio a mostrar a cara. Aliás de novo, todos os fakes botando uma na comunidade Literatura, mostrem a cara, mostrem seus nomes em seus perfis, saiam do covil. Como é que um fórum onde todo mundo encobre o rosto quer ser levado a sério? Me sinto ridículo trocando posts com fantoches anônimos cagões.
E é exatamente essa a primeira grande patacoada (ou “pataquada” como proferiu outro dia o fake idiota Ludwig no interessantíssimo fórum da comunidade Literatura da orkut. Que credibilidade esperar desse clubinho de personas tão pateticamente idealizadas com suas impiedosamente denunciadoras máscaras?
Afinal, é aquilo realmente uma comunidade ou será apenas uma grande repartição pública a que os barnabés comparecem de meia em meia hora para bater cartão? Toda vez que abro o fórum me sobem acres engulhos à base da garganta. Que enorme, que espetacular pobreza, dio mio! Carinha tá sem o que fazer, então tem um estalo: “Vou lá naquela merda abrir mais um dos meus tópicos fofinhos!” Que fantástica perda de tempo. Não há um só tópico que preste naquele angu de porcariadas. Tudo ali está melecado duma sórdida preguiça, recende a vagabundagem, exuda indolência, tem um intolerável ranço de apatia e descaso e negligência, feito a mais autêntica repartição deste País profundo definitivamente condenado ao fracasso. Tal como aqui fora, com esses brasileiros perpetuamente deitados e risonhos, ali, cliques, tecladas, postagens, é tudo regido pela mais infame das leis: a da inércia. Por isso, quando aparece alguém mais criativo, ou apenas mais atrevido, ou mais irriquieto, é invariavelmente metido na geladeira ou mesmo boicotado. E num estalar de patas a mediocridade volta a reinar.
Aliás pela terceira vez, será a maioria dos membros da comunidade Literatura da orkut formada por funcionários públicos? Pois não concebo outra explicação ante tão maciça montanha de insipidez e anomia e abulia excretada diuturnamente por aqueles estranhos seres que, acéfalos que são, parlam interminavelmente sobre absolutamente NADA. Forasteiro, ou fale de tititica ou cale-se para sempre.
Bem, o resultado dessa lenga-lenga toda só podia ser um manifesto. Manifesto contra a mediocridade que despenca sobre o mundo feito uma névoa de gás de mostarda, toldando a luz, dissipando inteligências, esterilizando a vida.
Meu manifesto contra a comunidade Literatura da orkut contém um rosário de outras perplexidades.
Por exemplo, gostaria muito de entender o porquê de tamanha abundância de exegetas e hermeneutas por aquelas bandas.
Pois é professor de tudo que é tipo, pra tudo que é lado, o tempo todo discursando com a solenidade dum juiz da roça, dando palestra, enchendo as bochechas pra fazer pose e cuspir uma farofada de dogmas, focando as luzes nas próprias virtudes explicitamente ou através de filigranas risivelmente grossas.
Curioso — e sintomático — não haver alunos por ali. Todos sabem tudo, não há disciplina que não dominem qual experts. Que abundância de mestres. E em que pese a ausência de alunos, a imponente figura do inspetor Jocelino nunca se ausenta.
São professores em Machado, Sartre, Homero, Camões, Borges e o cacete a 4,8 que empinam o nariz para analisar todos os fatos da ordem do dia e emudecem quando você quer discutir Machado, Sartre, Homero, Camões ou Borges a sério.
E tem outra coisa ainda mais engraçada.
Ninguém se digna a comentar uma peça literária postada por um membro da própria comunidade. Ou melhor, peça literária com inegáveis qualidades. Mas quando um coitado aparece c'um texto ruinzinho que possa ser destruído a pauladas, a plêiade de críticos ataca qual uma plêiade de hienas.
Pois as relações por ali se regem pela Lei da Paridade. Os pares não podem admitir que alguém de seu próprio meio exiba mais virtudes e méritos que a média da cambada. Eis um grande exemplo do famoso nivelamento-por-baixo.
O compadrio come solto. O espírito de corpo se arma automaticamente ante a ronda dum outsider mais hostil. As hienas, como é natural, atacam em bando. A simples ideia dum lobo da estepe é inconcebível. Se ameaçadas, as comadres se agrupam num círculo protetor, descambando a arrulhar (ou sei lá que nome se dá à voz hiênica), torcendo que o sacrificado seja você, não eu.
Uma última palavrinha ao sr. Jocelino Freitas.
O senhor é o rei da pusilanimidade, seu Freitas.
Entrando em seu perfil, dou de cara c'um poemeto de Neruda que inicia assim:
Aprende com os audazes,
com os fortes,
com quem não aceita situações(...)
Que vontade tenho eu que o senhor me diga onde é que aplica tão belos versos.
Mas pera lá! Sim, é apenas poesia. Quem disse que poesia tem aplicação prática? Versos se destinam tão somente a ornar perfis orkutienses. São, e devem ser, inócuos. Inócuos como o mais tépido, cálido e morno dos banhos-marias. A poesia é apenas o fetiche predileto dos diletantes.
Pois então, sr. Jocelino, eu também recomendo, como meu colega Pablo: aprende com os audazes! Não seja apenas um bonachão simpático, seu Jocelino. Tente fazer da sua teoria sua prática. Quem sabe as coisas não comecem a mudar, inclusive no mundo “aqui fora”?
Mas, obviamente, Jocelino é apenas mais um entre os milhões de brasileiros vocacionados para a derrota e que só falam da boca pra fora. Esta nossa estranha raça é craque em maldizer a corrupção enquanto vai delirando com um empreguinho no funcionalismo para também poder meter a mão no que não é seu. Brasileiro amaldiçoa político ladrão mas nutre um gostinho pela roubalheira. Tal como literatos de araque que se assustam diante da verdadeira literatura.
Amém.