Amorokê na vila - Capítulo 018

Tenho de sair, cerrar apertado olhos e boca e tampar os ouvidos pra não te dizer o que precisas ouvir. 
O escritor do tal de Fred

Ontem passei uma tarefa a Sô: organizar as anotações literárias do escritor do trato que fiz com o tal de Fred.
Lhe entreguei o calhamaço, pedindo que organizasse por tema.
O melhor foi que não quis instrução alguma. Xa comigo.
Depois de classificar tudo, joga no computador.
Sô adorou a ideia.
Mês passado me pediu um notebook e comprei um em oito prestações onde tudo é mais barato, Casas Bahia. Os atendentes são mais simpáticos e prestativos. E o crediário não tem burocracia.
Como ela se amarra nessa onda de tecnologia, preferi deixar que cuide da parte da informática. Uma, mexer nessas geringonças me estressa ao desmaio. Outra, assim agrado àquela parte da crítica purista que torce o nariz quando um escritor inclui em sua trama elementos novidadeiros como computador, celular e televisão. Para esses críticos, tais elementos são supérfluos e, portanto, descartáveis. Já temos problemas históricos, antropológicos suficientes para nos divertir, não precisamos mencionar que somos consumidores ou seres do nosso tempo. A vida, afinal, é um frágil cabacinho que não deve ser rompido nem em último caso.
A propósito, esqueci de dizer que já usei alguns trechos do escritor do tal de Fred em capítulos anteriores. Os mais atentos de certo identificaram as diferenças de estilo, densidade e colorido. Aos distraídos, solicito que releiam o que já foi escrito, se quiserem separar o joio do trigo. Quem sabe no final eu indique mais precisamente onde o galo cantou quando a porca torceu o rabo.
Peço que me desculpem a incúria, ando meio zonzo de tanta birita e sexo semi-eunúnico. Que falta faz pelo menos uma gozada diária.
Agora, ao trabalho. Soninha tem uma dura missão pela frente enquanto a observo mexer em seu novo brinquedo cibernético enquanto me regozijo por ter descolado mulherzinha tão doce, sofrida, sensual e abrutalhada enquanto vou bebericando meu stein ultra-gelado tentando olhar sem enxergar.