Amorokê na vila - Capítulo 022


For a minute the sky pours into the hole like plasma.
There is no hope, it is given up.

Sylvia Plath

Segundo contato com o Devedor (não sei se desejo outros).
Estamos aqui sentados neste maldito circular, o mané me alugando a orelha, uma ladainha de explicação por que gosta de andar de ônibus e deixa de gostar do cacete a quatro.
No primeiro, no penúltimo banco (e o segundo também foi), ele perguntou, depois que passei um pedido (exigiu mais detalhes do que podia imaginar):
A menina já sentiu gosto de sangue?
J-j-já. O fundo da garganta gaguejou, testa franzida. Na infância. Quando me arrancaram uns dentes de leite.
Não é esse que estou dizendo, ele quase suplicou. Me refiro ao sangue insólito. Estudado. Já frio daquele que agora é desconhecido. O não derramado na guerra.
N-nunca, gaguejei.
Então qualquer dia te puxo até o salão de sinuca depois do expediente pro nosso rito da Gororoba Carmesim. A menina vai ficar ligadinha. Garanto.
Então tá, minha voz aquiesceu, logrando certa autoridade.